Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Já existe tratamento para viciados em novas tecnologias

Hospital privado Capio Nightingale, em Londres, está a oferecer tratamento para os viciados em jogos de computador, redes sociais e telemóveis.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Na Coreia do Sul, um casal obcecado em criar uma menina virtual chamada Anima acabou por deixar uma bebé, filha de ambos, morrer à fome, enquanto jogavam o popular Prius Online. É um caso extremo de pessoas viciadas em jogos de computador, um problema crescente que está a preocupar psicólogos e psiquiatras em todo o mundo. 

A novidade é que a dependência da Internet, em especial dos jogos de computador, das redes sociais e dos telemóveis já tem tratamento médico-hospitalar. E a cura proposta pelo médico Richard Graham, do Capio Nightingale Hospital, em Londres, não implica abstinência. 

No site do hospital encontra-se disponível um teste gratuito para medir o grau de dependência dos utilizadores das novas tecnologias. Mas, por enquanto, o tratamento apenas está disponível para pacientes do sistema privado de saúde.

Tratamento de 28 dias

Segundo Richard Graham, "não é realista impor um programa de abstinência" nem o objectivo do tratamento é esse. O que é preocupante, enfatiza o médico, não é a utilização das novas tecnologias mas, sim, as características "compulsivas e viciantes" dos jogos, redes sociais e telemóveis.  

"Quando privados dos jogos, sites ou sms", os viciados ficam "agitados e irritáveis".

De acordo com o especialista, "a preocupação (dos pacientes) em participar de sites de relacionamento e responder a mensagens é tão forte que vira prioridade. Isso tem impacto negativo, impedindo os jovens de participar de outras actividades".

O tratamento leva apenas 28 dias e começa com psicoterapia para tratar os pacientes com problemas de relacionamento. A segunda fase é desfazer, por assim dizer, o relacionamento dos pacientes com os computadores e telemóveis e encorajá-los a desligar os equipamentos. 

Por fim, os pacientes são incentivados a participar de exercícios físicos e actividades com a família e amigos.

Jogos e apostas online

Em declarações à BBC, Mark Griffiths, professor da Universidade de Nottingham Trent , disse que mais viciante e preocupante do que os jogos de computador são as apostas online que, ao contrário dos videogames, não param nunca.

As primeiras clínicas de tratamento para viciados em apostas online surgiram na Ásia, onde são gastas forturnas no mundo virtual, provocando  graves problemas nas vidas dos viciados.

"A maioria dos comportamentos ligados ao vício tem seu auge durante a juventude e maior probabilidade de ocorrer entre homens. Mas a Internet é neutra em termos de género. Na vida real, mulheres podem até não ir a uma casa de apostas, mas a verdade é que online podemos fazer tudo o que quisermos", afirmou Griffiths.