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Interesse da PT na TVI vinha "de muito longe", diz Pais do Amaral

Miguel Pais do Amaral, ex-patrão da TVI, garantiu aos deputados da comissão de inquérito que, "por duas ou três vezes" negociou com a PT uma participação na televisão. Um negócio que, considerou, "normal informar o Governo".

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

De novo marcadas por incidentes processuais levantados pelos deputados do PS, as audições da comissão parlamentar de inquérito prosseguiram, esta tarde, com a audição de Miguel Pais do Amaral, patrão e CEO da TVI até 2005, altura da entrada da espanhola Prisa na Media Capital. Na altura em que concretizou o negócio, "informei o Governo", garantiu, repetindo o que já dissera aos deputados da comissão de ética.

"É normal quando se detém uma concessão do Estado, se é dono do grupo líder na área dos media, informar o Governo da venda da empresa a uma empresa estrangeira", acrescentou. "É uma questão de boa educação e de boa vizinhança".

A normalidade do gesto de informação ao Governo, aliada às declarações feitas pelo ex-patrão da TVI segundo as quais "por duas ou três vezes" negociou com a PT uma eventual entrada no capital da estação de televisão, levaram os deputados da oposição a aprofundar o assunto. PSD, Bloco de Esquerda, PP e PCP foram unânimes em tentar tirar das palavras de Pais do Amaral uma transposição para a tentativa de negócio - abortada pelo Governo em Junho de 2009 - da PT sobre a mesma empresa. Na prática, tentavam, através do ex-patrão da TVI, perceber se o Governo "tinha de saber" do negócio, apesar de manifestamente sempre o ter desmentido.

"É materialmente possível fazer um grande negócio da Comunicação Social sem a aquiescência do Governo?", perguntou o deputado social-democrata Pacheco Pereira. Cauteloso, Pais do Amaral respondeu com um "depende". "Se se tratar da venda de uma posição maioritária a um empresário estrangeiro, seria difícil", disse. Mas, no caso da venda de uma participação minoritária a uma empresa portuguesa - como era o caso da PT - "não vejo que fosse necessário a informação ao Governo".

As palavras de Miguel Pais do Amaral não fizeram avançar substancialmente os trabalhos do inquérito. "Não tive conhecimento de qualquer tipo de intenção do Governo em afastar jornalistas", disse, tal como salvaguardou o "profissionalismo da gestão da PT, que tem capacidade para decidir por si só as operações que quer levar para a frente". Mais ainda, defendeu que a possibilidade de compra da TVI para controlo da informação não faz sentido. "Ninguém gasta tantos milhões num grupo de media para ter influência. Estamos a falar de um negócio tão grande que os critérios têm de ser meramente financeiros e estratégicos".

No entanto, o PS interrompeu várias vezes os trabalhos para apelar à necessidade de o inquérito se "limitar ao objecto definido" e de "expurgar as opiniões pessoais" dos depoimentos e posterior relatório de conclusão. As intervenções dos socialistas e consequentes respostas ocuparam 20 minutos dos trabalhos.