Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Atualidade / Arquivo

Húngaro nazi de 97 anos acusado de crimes de guerra

  • 333

Lazlo Csatary encontra-se em regime de prisão domiciliária desde hoje de manhã, tendo-lhe sido confiscado o passaporte

Laszlo Balogh/Reuters

Lazlo Csatary andou fugido no Canadá e era atualmente o "homem mais procurado" pelos caçadores de nazis

Laszlo Csatary, 97 anos, húngaro suspeito de crimes de guerra durante a ocupação nazi na Hungria, e que foi detido hoje, afirma estar inocente e que apenas "cumpriu ordens", revelaram os procuradores na capital do país.

Csatary "foi acusado de colaboração na organização da deportação de 15.700 judeus húngaros para o complexo de Auschwitz, na Polónia, entre 1941 e 1944", durante a II Guerra Mundial, disse à agência AFP o advogado de defesa, Gabor Horvath, adiantando que o seu cliente já se declarou "não culpado" dos crimes de que é acusado.

"Ele nega qualquer culpa dos crimes de que é acusado", confirma o procurador Tibor Ibolya, acrescentando que Lazlo Csatary argumenta que "apenas cumpriu ordens". De acordo com o procurador, "o suspeito está em boas condições físicas e mentais. Está a cooperar e ficou surpreendido por ter sido detido mas espera ser interrogado".   

Lazlo Csatary era há muito alvo do Centro Simon Wiesenthal, organização judaica que investiga os crimes de guerra nazis, e seguramente o "homem mais procurado" pelos caçadores de nazis.  

Prisão domiciliária

Antigo oficial de polícia na cidade de Kosice, Eslováquia, quando os judeus húngaros começaram a ser deportados para os complexos de extermínio nazis de Auschwitz, na Polónia, Csatary fugiu para o Canadá após a guerra e trabalhou como negociante de arte sob identidade falsa, antes de regressar à Hungria nos anos 1990 após ter perdido a nacionalidade canadiana.

A Justiça da Hungria começou as investigações em setembro de 2011, após o Centro Wiesenthal ter fornecido informações sobre crimes de guerra.  

Lazlo Csatary encontra-se em regime de prisão domiciliária desde hoje de manhã, depois de ter sido acusado de crimes de guerra pelo Tribunal Militar da Hungria,  tendo-lhe sido confiscado o passaporte.

O advogado de Csatary não revelou à imprensa a localização da residência do suspeito, que foi presente ao Tribunal Militar de Budapeste e posteriormente conduzido a casa. À saída do edifício do tribunal, Csatary vestia um fato cinzento, transportava um saco de plástico numa das mãos e, apesar da idade, apresentava-se em boa forma física, de acordo com o jornalista da AFP no local.