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Homossexuais podem ser espiões

Quem quiser seguir a profissão de James Bond é bem-vindo no serviço de segurança do Reino Unido e sem qualquer tipo de constrangimento. Até ao início da década de 90, os homossexuais não podiam ocupar cargos de alta segurança. Temia-se que fossem vítimas de chantagem.

Raquel Pinto*

O MI5 (serviço de segurança interno do Reino Unido) está a colaborar com o Stonewall, o principal grupo de pressão do movimento homossexual do país, para alistar eventuais interessados em seguir a carreira de espiões. A profissão de James Bond passa agora a ser oficialmente aberta e todos são bem-vindos.

Segundo o jornal 'The Sunday Times', o Ml5 contratou os serviços do grupo para desempenhar o papel de assessoria sobre como inscrever um maior número de homossexuais para a tarefa e criar um ambiente laboral que permita aos funcionários declararem abertamente a sua orientação sexual e a sentirem-se confortáveis.

O novo director-geral do MI5, Johathan Evans, estudou na mesma escola que o dirigente da associação e foi quem aprovou a estreita colaboração. O responsável do Stonewall, Ben Summerskill, em declarações ao jornal inglês frisou que, "no prazo de 10 a 15 anos, o perfil de emprego do Ml5 equivalará à moderna sociedade britânica": "Não há nenhuma razão para que um oficial ou director não seja, um dia, gay ou lésbica".



Até ao início da década de 90, os homossexuais não podiam ocupar cargos de alta segurança, pois temia-se que se tornassem vítimas de chantagem. De salientar que, Guy Burgess e Anthony Blunt, dois dos mais destacados espiões do chamado grupo de Cambridge durante a Segunda Guerra Mundial, eram gays.



O MI5 que já tinha admitido a contratação muçulmanos britânicos e pessoas fluentes em idiomas asiáticos, surgirá ainda este ano num guia editado pelo Stonewall com as empresas ou instituições onde os homossexuais podem ficar certos de que são bem-recebidos.

Desde os sangrentos atentados terroristas de 7 de Julho de 2005, o Ml5 tem sofrido um rápido crescimento no número de efectivos e espera abranger 3500 funcionários até o final deste ano, em contraste com os 1.500 contabilizados em 2001.