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Hillary Clinton: "Portugal está no caminho certo"

Portas manifestou a determinação do Governo em cumprir o acordo com a troika e marcou a distância em relação à Grécia

Michael Reynolds/EPA

Após um encontro com o ministro português Paulo Portas em Washington, a secretária de Estado norte-americana sublinha que Portugal está melhor posicionado que "outros países" para resolver a crise da dívida

Portugal "está no caminho certo" para resolver a crise da divida e melhor posicionado que "outros países", que ainda não tomaram medidas decididas de contenção, disse hoje a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton.

Clinton falava após um encontro de cerca de 50 minutos no Departamento de Estado, em Washington, com o ministro português dos Negócios Estrangeiros, que frisou que Portugal tem "uma história própria", diferente da Grécia, e está empenhado a cumprir o acordo com a troika e em "vencer a crise da dívida".

Clinton sublinhou que "o povo português e o governo de Portugal demonstram uma determinação impressionante em pôr de lado divergências políticas para aplicar medidas difíceis de austeridade, que estão a ajudar a estabilizar a economia portuguesa, mas também a prepará-la para o sucesso económico de longo prazo".

A secretária de Estado sublinhou a larga maioria com que o Parlamento aprovou o pacote de medidas de austeridade impostas pelo acordo com a troika, uma "retumbante demonstração de apoio em circunstâncias difíceis".

Este pacote, adiantou, "foi além do que FMI e UE tinham exigido no acordo original" e o último relatório trimestral da troika demonstra progressos.

"Não há atalhos"

"Portugal já deu passos que o colocaram no caminho certo. Outros países e governos ainda estão a trabalhar para tomar esse caminho e esperamos que os líderes europeus continuem a assegurar que a resposta a esta crise é forte, flexível e - mais importante que tudo - eficaz", disse Clinton.

A secretária de Estado expressou confiança na capacidade de União Europeia e Estados Unidos reencontrarem o caminho do crescimento económico.

"Temos de continuar por este caminho, não há atalhos, não será fácil, mas na minha opinião vai resultar num regresso a prosperidade económica no futuro", disse.

A delegação portuguesa integrou ainda o diretor geral de política externa do Ministério dos Negócios Estrangeiros e o embaixador em Washington, Nuno Brito.

Portas marca distância em relação à Grécia

Tal como fez noutros encontros mantidos nos últimos dias em Washington, e na semana passada à margem da Assembleia Geral da ONU, Paulo Portas veio manifestar a determinação do Governo em cumprir o acordo com a troika e marcar distância em relação à Grécia.

"Somos um caso muito específico e a nossa atitude como País, como nação, como Governo é cumprir os nossos objetivos de consolidação orçamental e reforma económica, honrar os nossos compromissos para com as instituições internacionais, cumprir o programa com a UniãoEuropeia e FMI", afirmou o ministro português.

"No final deste programa muito duro, Portugal será uma história de sucesso e queremos Portugal na cena internacional como uma história única. Portugal cumpre, Portugal honra a palavra e está a fazer um esforço tremendo para recuperar a sua autonomia", adiantou.

Em Washington, Portas levou esta mensagem ainda na semana passada ao comité de Relações Externas do Congresso e segunda-feira ao 'think tank' [grupo de reflexão] Council on Foreign Relations.

Segundo fonte diplomática, nos últimos dias esteve ainda na capital norte-americana com o enviado do presidente norte-americano ao Médio Oriente, Dennis Ross, e congressistas, entre eles os luso-americanos Devin Nunes, Dennis Cardoza e Jim Costa.

Portas e Clinton consideram negativa a construção de colonatos por Israel

Os chefes da diplomacia de Portugal e Estados Unidos consideraram hoje negativo para a paz no Médio Oriente o anuncio de construção de mais colonato por Israel, mas afirmaram continuar a acreditar num regresso as negociações.

Em conferência de imprensa, após um encontro de cerca de 50 minutos com o ministro dos Negócios Estrangeiros, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que o anuncio hoje feito em Israel sobre construção de colonatos é "contraproducente".

Para o ministro Paulo portas, a decisão israelita "não é boa". Ainda assim, Portas afirmou acreditar que a declaração da semana passada do Quarteto para a paz no Médio Oriente, recebida com ceticismo por israelitas e palestinianos, continua a ser o caminho para as negociações.