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Greve: França perto do caos

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Trabalhadores dos comboios enfrentam elementos da polícia durante um bloqueio da estação ferroviária de Dunquerque

MAXPPP - Jean Charles Bayon/Maxppp/EPA

Depois de 300 jovens terem sido presos ontem, durante violentos confrontos com a polícia, a França acorda hoje paralisada, sem combustíveis, com bloqueios e manifestações em todo o país.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

Devido à greve contra a proposta de lei do Governo de prolongamento da idade de reforma, algumas cidades francesas caíram ontem no caos devido à violência durante manifestações estudantis. Nas regiões de Paris, Lille, Lyon e mais uma dezena de cidades foram incendiados carros, destruídos bens públicos e, no total, foram detidos 300 jovens.

Hoje, a situação poderá ficar mais negra com uma nova greve geral contra a proposta de lei do Governo de prolongamento da idade da reforma. As paralisações atingem praticamente todos os setores da atividade económica, desde aeroportos aos transportes urbanos e ferroviários, do ensino aos correios, aos hospitais e à generalidade dos serviços públicos, dos transportes rodoviários às refinarias de petróleo e aos depósitos de gasolina.

Com portos, estradas e zonas industriais totalmente bloqueadas por camionistas e outros grevistas, o Presidente Nicolas Sarkozy enfrenta a maior crise desde a sua chegada ao Eliseu, em 2007.

Gasolineiras fechadas

Esta manhã eclodiram já confrontos entre a policia e estudantes em Nanterre, arredores de Paris, e algumas centenas de jovens bloqueavam às 10h locais (9h em Lisboa) a circulação na Praça da Bastilha, no centro da capital.

Em Paris, boa parte dos táxis não circulam desde ontem por falta de gasóleo e, apesar do serviço mínimo obrigatório, toda a rede de transportes públicos estava com fortes perturbações ao início da manhã de hoje.

"Comigo já ninguém nota quando há greve em França", vangloriou-se Nicolas Sarkozy há algum tempo, perante a eficácia dos serviços mínimos que ele impôs. Mas a realidade está a desmenti-lo cruelmente porque, desde há alguns dias, todo o país parece a caminho do caos devido aos bloqueios de zonas industriais, à penúria de carburantes e às sucessivas manifestações de estudantes, que ocupam centenas de liceus.

Numa escola em Marselha, estudante exibe cartaz com apelo à adesão dos alunos franceses à greve geral em França

Numa escola em Marselha, estudante exibe cartaz com apelo à adesão dos alunos franceses à greve geral em França

Claude Paris/AP

Milhares de gasolineiras estavam ontem à noite fechadas em todo o país e nalgumas, como em Marselha, nem a recolha de lixo funciona desde há vários dias. Em Toulouse os autocarros do serviço público de transportes continuavam esta manhã bloqueados por piquetes de greve. Centenas de aldeias em zonas rurais continuam isoladas do resto do país, sem carburantes nem transportes.  

Gigantescas manifestações

Hoje, vão decorrer manifestações em 250 cidades que os sindicatos preveem gigantescas. Trata-se do braço de ferro final entre o Governo e os sindicalistas em vésperas da votação solene no Senado, prevista para quinta-feira à noite, da proposta de lei das reformas.

Nicolas Sarkozy repetiu ontem que não cede às reivindicações dos grevistas - "A reforma das reformas é absolutamente necessária para garantir o pagamento, no futuro, das pensões", disse o Presidente.

Sindicatos e oposição pedem a suspensão dos debates no Senado e a reabertura de negociações. Em questão está a passagem da idade mínima para a reforma dos 60 para os 62 anos (e de 65 para 67 anos com pensão completa).

O chefe de Estado apelou ao fim da violência e o Governo, que já recorreu às suas reservas estratégicas de combustíveis, pretende pôr hoje as forças policiais a abastecer as zonas mais atingidas pela penúria energética.