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Gregos e franceses criticam entrevista de Lagarde

Christine Lagarde afirmou, numa entrevista publicada ontem no jornal inglês "The Guardian", que os gregos deviam "começar por se ajudar colectivamente pagando os seus impostos" e mostrou-se menos preocupada com as crianças gregas do que com as da África subsaariana. 

O líder dos socialistas gregos, Evangelos Venizelos, afirmou hoje que a diretora do Fundo MonetárioInternacional (FMI), Christine Lagarde, "insultou os gregos" ao dizer que deviam pagar impostos, noticiou hoje a televisão grega.

"Ninguém pode humilhar o povo grego durante a crise, e dirijo-me hoje em particular à senhora Lagarde (...), que com a sua posição insultou os gregos", disse o líder do PASOK num comício no sábado à noite.

"Peço-lhe que reveja e reconsidere o que queria dizer", acrescentou Venizelos, cujo partido, quando no governo, aplicou o programa de austeridade imposto pela 'troika' - FMI, Banco CentralEuropeu e Comissão Europeia - em troca do empréstimo internacional.

Numa entrevista publicada no sábado pelo diário britânico "The Guardian", Lagarde afirmou que os gregos deviam "começar por se ajudar colectivamente pagando os seus impostos" e disse-se menospreocupada com as crianças gregas do que com as da África subsaariana. 

"Não temos de dar lições à Grécia 

O Governo francês veio, igualmente, a público criticar a atitude da antiga ministra de Sarkozy. A porta-voz do executivo, Najat Vallaud-Belkacem, considerou as declarações simplistas e estereotipadas. "Penso que, neste momento, não temos de dar lições à Grécia", afirmou.

Se a Grécia decidir sair do euro, depois das eleições legislativas de 17 de Junho, "isso seria um mau sinal, sem dúvida uma má escolha, para o conjunto dos parceiros europeus e para o resto do mundo", acrescentou a porta-voz.

Lagarde já tinha sido criticada hoje pelo líder da esquerda radical francesa e ex-candidato presidencial Jean-Luc Melénchon, que considerou as declarações "indignas" e sugeriu que a diretora do FMI se demita.

"Com que direito fala ela desta forma aos gregos?", questionou Mélenchon na televisão France 3. "São declarações indignas. Se houvesse uma moral política, Lagarde devia abandonar o cargo que ocupa", acrescentou. 

Também o líder da coligação da esquerda radical grega Syriza, Alexis Tsipras, criticou as declarações da diretora do FMI, Christine Lagarde, afirmando que os gregos "pagam os seus impostos" e não precisam da sua compreensão.

"Sobre as recentes declarações da senhora Lagarde, a última coisa que a Grécia quer é a sua compreensão", afirmou o líder do Syriza num comunicado.

"Os trabalhadores gregos pagam os seus impostos", que são muito pesados e, nalguns casos, "mesmo insuportáveis", afirmou Tsipras. 

Lagarde "compadecida" com os gregos

No sábado à noite, depois da polémica causada pelas suas declarações, Christine Lagarde publicou uma mensagem na sua página do Facebook em que se diz "compadecida com a situação dos gregos" e afirma que "parte importante" do esforço para ultrapassar a crise é "que todos partilhem equitativamente o fardo, especialmente os mais privilegiados e, especialmente, pagando os seus impostos".

A política de austeridade seguida na Grécia foi maciçamente rejeitada pelos eleitores nas legislativas de 6 de maio passado.

O PASOK, que em 2010 aceitou a austeridade para evitar a bancarrota do país, foi um dos partidos mais castigados nas urnas, ficando em terceiro lugar, atrás da Nova Democracia (conservadores) e da coligação da esquerda radical Syriza.As sondagens mais recentes indicam que nas eleições de 17 de Junho, o PASOK se mantenha como terceiro partido.