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Governo trava Teixeira dos Santos na PT

Ex-ministro tinha o apoio de Vítor Gaspar. Oposição do CDS e do PSD inviabilizou a nomeação.

A nomeação de Fernando Teixeira dos Santos para representar a Caixa Geral de Depósitos na PT criou profundo desconforto no seio do Governo. O nome do ex-ministro das Finanças de José Sócrates foi discutido quinta-feira num encontro entre Faria de Oliveira, chairman da Caixa, e Vítor Gaspar.

Teixeira dos Santos - cujo papel no pedido de ajuda externa foi fundamental, devido à oposição de José Sócrates - tinha o claro apoio de Gaspar e do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa. Mas a forte oposição do CDS - em especial de Paulo Portas -, e de alguns sectores do PSD travaram a nomeação, apurou o Expresso junto de fontes dos dois partidos da maioria.

O caso provocou intensas manobras de bastidores ao longo do dia de ontem, com vários membros do Governo a considerarem inaceitável a nomeação de Teixeira dos Santos.

Não pela sua competência técnica - que nunca esteve em causa -, mas por ser um dos principais rostos do governo de José Sócrates. Isso levava a uma inevitável contradição com a 'narrativa' do Governo. A oposição do CDS e o "receio" de que o caso pudesse incendiar o congresso do PSD - que decorre este fim de semana em Lisboa - ditaram a sentença final.

Teixeira dos Santos iria substituir um dos dois representantes da CGD na PT: Jorge Tomé e Francisco Bandeira. Nogueira Leite era outro dos nomes possíveis, mas as escolhas finais só deverão ser conhecidas na segunda-feira.

A continuação de Henrique Granadeiro como chairman da PT também tem provocado algumas motivações políticas, dada a sua proximidade a José Sócrates. Mas Ricardo Salgado, presidente do BES, e maior acionista da PT, disse em dezembro que Granadeiro e Zeinal Bava se mantinham.