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Governo tinha de conhecer negócio PT/TVI

Carlos Barbosa, administrador da PT Compras até 2006, garante que "nada se passa" na empresa "sem o beneplácito do Governo e do BES". Por isso classifica de "impensável" e "nada crível" que o Executivo não soubesse "de um negócio estratégico" como o da compra da TVI.

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Responsável pelo pelouro da compra de publicidade na PT entre 2002 e 2006, o actual presidente do Automóvel Clube de Portugal, Carlos Barbosa,  veio à comissão parlamentar de inquérito, hoje, a pedido dos deputados do PP. Podia estranhar-se a sua capacidade de contribuir para o esclarecimento dos contornos do negócio PT/TVI  - decidido muito depois da sua saída da PT - mas, o seu "conhecimento interno" do modo de funcionamento da empresa, assim como o facto de ter passado o seu pelouro para Rui Pedro Soares, são matéria suficiente para a oposição aproveitar esta audição.

Carlos Barbosa não tem dúvidas e invoca os seus "30 anos de carreira na Comunicação Social" e os quatro passados na administração da PT para afirmar peremptório: "quem manda na PT são os dois principais accionistas: o Estado, através da golden share e da Caixa Geral de Depósitos, e o Banco Espírito Santo". "Nada se passa na empresa", garante, sem o "beneplácito" destes dois principais accionistas, concluindo, portanto que o negócio da entrada no capital da TVI tinha de ser do conhecimento prévio do Governo e do BES.

"É impensável que os accionistas principais não tivessem conhecimento de um negócio destes", afirmou. A compra tinha "um cariz político inegável", "era um investimento estratégico" e, por maioria de razões, teria de ser comunicada e aprovada pelo BES e pelo Executivo.

A esta "convicção" de Carlos Barbosa, que os socialistas desvalorizam por não ser um facto, junta ainda o inquirido um retrato nada abonatório do ex-administrador da PT e actual arguido no processo Face Oculta.

Rui Pedro Soares teve "uma ascenção meteórica" na empresa e foi indicado para tarefas para as quais "não tinha qualquer espécie de aptidão e de competência". Chamado para administrador "por indicação do Estado e do BES", Rui Pedro Soares "obviamente, teve algumas bençãos. Teve padrinhos", concluiu Barbosa, sem nomear quais.

Deixou, porém, várias pistas directas. "Rui Pedro Soares nunca escondeu a sua amizade com José Sócrates e, mais forte ainda, com o então ministro Mário Lino", disse Carlos Barbosa.