Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Governantes mortos em acidentes aéreos

O acidente que envolveu o Presidente polaco Lech Kaczynski e quase uma centena de altas figuras do Estado não é o primeiro do género na História da aviação mundial. Anteriormente, outros primeiros-ministros, presidentes e até um secretário-geral da ONU perderam a vida em viagens oficiais.

Cristina Pombo (www.expresso.pt)

Wladyslaw Sikorski

Wladyslaw Sikorski

Wladyslaw Sikorski

Primeiro-ministro polaco entre 1922-23, voltaria a exercer o cargo 16 anos depois, durante a II Guerra Mundial, de 30 de Setembro de 1939 e 4 de Julho de 1943, quando se encontrava no exílio. Durante esse período foi uma figura de proa da resistência polaca e das forças militares que apoiaram os Aliados. O avião em que regressava de uma inspecção às tropas polacas no Médio Oriente, a 4 de Julho de 1943, despenhou-se pouco depois de descolar de Gibraltar. As circunstâncias da sua morte não foram inteiramente esclarecidas, alimentando ainda hoje algumas teorias da conspiração que envolvem o regime soviético.

Francisco Sá Carneiro

Francisco Sá Carneiro

Rui Ochôa

Francisco Sá Carneiro

O fundador do Partido Popular Democrático/Partido Social Democrata (PPD/PSD) e ex-primeiro-ministro de Portugal em 1980, durante apenas onze meses, faleceu num acidente aéreo em Camarate, pouco depois da descolagem do aeroporto de Lisboa. A bordo do avião estavam ainda o ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa e Snu Abecassis, a companheira de Sá Carneiro. Quase trinta anos depois dos trágicos acontecimentos, subsistem duas teses sobre a sua morte: a falta de manutenção do aparelho e a tese de atentado (para a qual não existem dados que permitam esclarecer quem terá sido o autor ou sequer o alvo - se Sá Carneiro ou Amaro da Costa).

Dag Hammarskjold

Dag Hammarskjold

UN/DPI

Dag HammarskjöldO segundo secretário-geral da ONU foi o único, até hoje, a morrer ao serviço das Nações Unidas. Hjalmar Hammarskjöld era o filho mais novo do antigo primeiro-ministro sueco (1914-1917), e foi galardoado com o prémio Nobel da Paz, em 1961, a título póstumo. No dia 17 de Setembro de 1961, Dag apanhou um avião para Katanga, uma antiga província belga, rica em petróleo, onde emergiu uma convulsão social e militar que opôs as forças de manutenção de paz da ONU e mercenários fiéis a Moise Tshombe, um político congolês que proclamara a independência do território. O objectivo de Hammarskjöld de convencer Tshombe a depor as armas ficou por atingir quando o aparelho onde viajava se despenhou perto da fronteira entre Katanga e a Rodésia do Norte (actual Zâmbia).

Juvénal Habyarimana

Juvénal Habyarimana

Juvénal Habyarimana e Cyprien NtaryamiraOs presidentes do Ruanda e do Burundi, respectivamente, perderam a vida quando o avião que os transportava para Kigali, capital do Ruanda, em Abril de 1994, foi derrubado por um míssil. Este atentado acendeu o rastilho daquele que ficaria conhecido como genocídio do Ruanda. Nem a Frente Patriótica do Ruanda, à época liderada pelo Presidente ruandês Paul Kagame, nem os extremistas hutu assumiram responsabilidade pelo acidente. É, no entanto, inquestionável que pouco tempo depois do desastre teve início o terrível massacre que dizimou 800 mil ruandeses.

Muhammad Zia-ul-Haq

Presidente do Paquistão entre 1978 e 1988, Zia-ul-Haq encabeçou um golpe de Estado, em 1977, e proclamou lei marcial no país, que vigorou até 1985, o ano em que se realizaram as primeiras eleições legislativas desde 1977. A 5 de Agosto de 1988, o avião em que viajava com o embaixador dos Estados Unidos e outras 28 pessoas foi sabotado, acabando por cair minutos depois de descolar do aeroporto de Bahawalpur. Subsistem dúvidas sobre quem terá sido o responsável pelo atentado. Terão sido os soviéticos, os indianos ou ter-se-á tratado de uma operação levada a cabo internamente por membros do clã Benazir Bhutto ou pelos próprios serviços secretos paquistaneses?