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Gabinete de Passos desvaloriza "desvio colossal", "à porta fechada"

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Gabinete do primeiro-ministro não comenta declaração de Passos Coelho "numa reunião partidária, à porta fechada". O PSD  diz que o desvio é o dos números do INE. Passos responde ao PS no debate quinzenal.

Ângela Silva (www.expresso.pt)

"O primeiro-ministro não faz declarações sobre uma reunião partidária que, ainda por cima, decorreu à porta fechada", afirmou ao Expresso fonte do gabinete de Passos Coelho, em S. Bento.

O "desvio colossal" nas contas públicas portuguesas, que alguns sociais-democratas dizem ter sido referido por Pedro Passos Coelho, na véspera, numa reunião do Conselho Nacional do PSD, seria "relativo às expectativas deixadas pelo Governo anterior". Outros conselheiros presentes na reunião garantem até que Passos utilizou a palavra "colossal" quando se referiu "ao trabalho que este governo vai ter que fazer para recuperar do desvio que encontrou" e que terá surpreendido alguns membros do Governo.

Passos Coelho assumiu não ter sido, no seu caso, "uma surpresa" e reafirmou não ser sua intenção explorar a herança que recebeu do passado. Mas o adjectivo "colossal" saíu da reunião à porta fechada e a polémica ateou.

O PS já exigiu que o PM vá ao Parlamento esclarecer o que disse. Em resposta, o deputado social-democrata Miguel Frasquilho desvalorizou a dramatização política em torno da declaração de Passos Coelho, reportando-a aos recentes números do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o défice público português.

"Estamos a falar de um desvio grande em termos de resultados das contas públicas e, exatamente por isso, já foi apresentada uma medida do lado da receita e vão ser apresentadas medidas do lado da despesa", afirmou Miguel Fransquilho, garantindo que não está em causa o cumprimento da meta do défice para este ano.

PS quer ouvir Passos

O PS pediu, pela voz de Vitalino Canas, a presença de Passos Coelho na Assembleia da República para esclarecer se a sua declaração, numa altura em que Portugal está sob mira apertada das agências de rating, antecipa dificuldades em cumprir o acordo com a troika.

O gabinete do primeiro-ministro não reage ao desafio enquanto não houver uma decisão oficial de chamar Passos Coelho ao Parlamento. Mas fonte governamental antecipa que os socialistas terão oportunidade de confrontar o PM com o assunto no próximo debate quinzenal entre Governo e oposição, no dia 29.