Siga-nos

Perfil

Expresso

Atualidade / Arquivo

Fuseta: "Demolições vão continuar, mas para já só as pacíficas" (vídeo)

Ministra do Ambiente diz que lei é para cumprir mas não há, para já, dinheiro para indemnizar demolições coercivas. Há mais casas para ir abaixo ainda este ano, para além das da ilha da Fuseta, mas só em casos sem contestação previsível.

Mário Lino, correspondente no Algarve (www.expresso.pt)

"Esta intervenção impõe-se. Os estudos estão feitos e os planos aprovados com todas as entidades e é em nome do interesse público que estas intervenções vão ter de ser feitas. Haverá uma ou outra situação em que poderá haver alguma contestação, mas estamos cientes de que as pessoas, em espírito de diálogo, compreenderão que não há alternativa", afirmou hoje Dulce Pássaro, ministra do Ambiente, na Ilha da Fuseta, em Olhão.

Dulce Pássaro assistiu à demolição oficial da primeira casa na ilha, isto após mais de cinquenta outras já terem sido destruídas pela força do mar, durante o último Inverno.

As demolições na ilha da Fuseta, inseridas no objecto do programa Polis Ria Formosa, estão orçadas em 441 mil euros e, segundo a ministra do Ambiente, deverão estar concluídas até ao fim de Junho de modo a que a época balnear possa abrir a 1 de Julho.

Mas para Francisco e Catarina de Sousa, donos do bar Quiosque 18, na Fuseta, já vai ser tarde: "Isto costuma começar a mexer em Março, Abril e estar a 100% a partir de Maio, sobretudo com estrangeiros que vinham aqui para apanhar o barco e atravessar até à ilha", dizem. "Assim, vai ser muito mau para o comércio e para toda a vila da Fuseta", reclamam.

Polícia não será o primeiro recurso, garante a ministra

"Não podíamos passar o Verão com esta zona cheia de ruínas, pondo em causa até a segurança de pessoas", explicou por seu turno a ministra do Ambiente. Garantindo que as demolições nas várias ilhas são mesmo para avançar, Dulce Pássaro admitiu que possa haver situações de contestação por parte dos proprietários, o que não sucedeu hoje, e mostrou-se confiante no diálogo.

"Poderá haver um ou outro caso de contestação, é natural. A lei tem de ser cumprida, mas consideramos que as forças policiais não serão a primeira via para ser fazer cumprir a lei", adiantou aos jornalistas.

O núcleo da Fuseta, inserido na ilha da Armona, foi o primeiro local onde a Sociedade Polis Ria Formosa avançou com a retirada de habitações, considerado prioritário devido ao risco que apresentava após as tempestades do Inverno. Depois de terminada a empreitada de demolição, remoção de resíduos, limpeza do areal e leito da ria, avança a fase final de requalificação, mas apenas a seguir à época balnear.

Segundo Dulce Pássaro, a barra da ilha - onde será construído um novo cais e colocados passadiços - deverá ser posicionada a nascente do local actual. A ilha da Fuseta faz parte de um conjunto de ilhas da Ria Formosa, um sistema lagunar único no mundo, alvo de um programa de requalificação denominado Polis Litoral Ria Formosa.

O programa Polis tem um período de intervenção até 2012 e a área de intervenção é de 48 quilómetros de frente costeira e 57 quilómetros de frente lagunar, abrangendo cinco municípios: Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.