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França: Eurobonds na UE só dentro de "vários anos"

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O chefe do Governo francês, Jean-Marc Ayrault, reconhece que adoção das das eurobonds pela União Europeia vai necessitar de "vários anos".

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris (www.expresso.pt)

A França continua a defender as obrigações europeis (eurobonds), mas reconhece que a mutualização das dívidas dos Estados da União Europeia (UE) implica uma mais forte integração política, com novas transferências de soberania, que "necessitará certamente de vários anos".

Este esclarecimento, feito hoje pelo primeiro-ministro, Jean-Marc Ayrault, pode ser visto como um recuo do novo poder francês em relação a um dos pontos mais importantes do programa do ex-candidato e atual Presidente, François Hollande.

Jean-Marc Ayrault almoçou hoje, em Paris, com os embaixadores em França dos países da UE, a quem transmitiu as grandes linhas das propostas francesas para o próximo Conselho Europeu de 28 e 29 de junho. À mesa desenvolveu esta ideia sobre as eurobonds, que explica também numa entrevista que será publicada amanhã pelo jornal alemão "Die Zeit".

Proposta de 120 mil milhões de investimentos

Na cimeira europeia, a França deverá, no entanto, defender que sejam adotadas rapidamente medidas favoráveis ao crescimento na Europa no valor de 120 mil milhões de euros, financiados por fundos estruturais da UE, pelo Banco Europeu de Investimento e por "Project bonds" (empréstimos lançados em conjunto por vários países europeus para financiamentos de grandes projetos de infraestruturas na Europa).

De acordo com o gabinete do chefe de Governo, Jean-Marc Ayrault transmitiu aos embaixadores as principais linhas das propostas francesas para favorecer o crescimento e a estabilidade financeira na zona euro, procurando "um melhor equilíbrio entre crescimento e consolidação orçamental na Europa".

A França defende também a criação de uma taxa sobre as transações financeiras, que pretende que alguns países europeus adotem já em 2013. 

A questão das eurobonds tem sido motivo de importantes dissensões entre a França e a Alemanha.