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Ferreira Leite: "Não estamos a contar histórias da carochinha"

Manuela Ferreira Leite tem "a certeza absoluta" de que "o primeiro-ministro não falou a verdade" sobre o negócio PT/TVI. É "totalmente inverosímil", afirmou "num Governo moderno ou mesmo antigo" que o detentor de uma golden-share tivesse esta "total ausência de informação".

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

Chamada pelo Partido Socialista à comissão parlamentar de inquérito, a ex-líder do PSD disse aos deputados o que já várias vezes afirmara: que "o primeiro-ministro faltou à verdade" quando, questionado no Parlamento, disse desconhecer em absoluto o negócio PT/TVI.



Manuela Ferreira Leite, porém, não se limitou a repetir na comissão de inquérito, o que já anteriormente tinha dito. Acrescentou ainda ser "gravíssimo" e um "atentado" o facto de José Sócrates ter vetado o negócio PT/TVI, "invocando a necessidade de defender a sua imagem pessoal". "Um negócio bom para uma empresa não pode cair por esta questão", disse num dos depoimentos mais veementes prestados a esta comissão parlamentar.

José Sócrates foi confrontado, a 24 de Junho, pela bancada do PP sobre o assunto, que no dia anterior fizera a manchete do jornal "i".



Vitalino Canas foi a voz socialista na inquirição a Manuela Ferreira Leite. Numa longa lista de perguntas a que foi sujeita, a ex-líder do PSD assumiu que "só tomei conhecimento do negócio pela Comunicação Social" e mostrou-se incrédula perante o facto de, o mesmo, não ter acontecido com o chefe do Governo.

"Tive a certeza absoluta que o PM não estava a dizer a verdade"



"O problema não está nos contornos do negócio, mas na atitude de José Sócrates", disse sobre a declaração feita ao Parlamento, considerando que ao "dizer que não sabia de nada", o primeiro.ministro fez uma declaração "de tal forma inverosímil que nos leva a questionar qual o motivo que o leva a faltar à verdade". O lado "pouco transparente" e as suspeitas de que "algo se estava a passar" levou a então líder social-democrata a pronunciar-se publicamente.

Sem retirar uma vírgula ao que dissera e perante as insistências do deputado socialista Vitalino Canas sobre se José Sócrates poderia estar a falar verdade, Ferreira Leite contra-atacou: "Não acredito eu, não acredita o senhor, não acredita ninguém. Não estamos aqui a contar histórias da carochinha".



Desenvolvendo o ponto de que José Sócrates mentiu, Ferreira Leite considera que a posse de uma golden share implica a partilha de informação com o accionista Estado. "Senão, para que servia a golden share?", questionou, sublinhando que o negócio em causa "não era uma questão menor. Era uma acção estratégica".



O facto de o primeiro-ministro desconhecer um negócio desta importância implicaria ainda. segundo Ferreira Leite, "consequências que nunca existiram". A demissão de administradores na PT (designadamente os indicados pelo accionista Estado) era uma das vias, tal como uma chamada de atenção ao ministro com a tutela da empresa. "Nada disto se passou. É tudo normal?", questiona.