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Ferreira Diniz diz que "sabia demais"

Ferreira Diniz diz ter sido envolvido no processo Casa Pia devido ao que sabia dos hábitos de consumo de droga de "políticos, magistrados e jornalistas influentes". 

O médico Ferreira Diniz afirmou hoje estar a ser julgado no processo Casa Pia porque "sabia demais" sobre consumo de droga de pessoas "influentes", alegando ter sido "avisado" por um traficante que fugiu de Portugal ajudado por um líder político. 

Nas declarações finais da sessão de hoje do julgamento, Ferreira Diniz falou pela primeira vez sobre o que entende ser a razão pela qual foi citado pelos jovens casapianos como um dos seus abusadores: o conhecimento que tinha dos hábitos de consumo de droga de "políticos, magistrados e jornalistas influentes". 

Traficante fugiu ajudado por líder político

Ferreira Diniz afirmou perante o coletivo ter sido avisado "quatro dias antes" de ser detido, através de um "dos principais traficantes de cocaína nacionais", seu doente, o qual terá dito ao médico que este "precisava de ser abatido" por causa do que sabia. 

Este traficante, disse Ferreira Diniz, está "fugido de Portugal e foi ajudado por quem dirige um partido político português". 

O alegado traficante "foi arrolado como testemunha, mas nunca se conseguiu encontrá-lo", declarou Ferreira Diniz, acrescentando que pediu à Ordem dos Médicos a suspensão do dever de sigilo profissional para poder usar esta argumentação em sua defesa, que não foi concedida. 

Certidão para o Ministério Público

Na sequência destas afirmações, José Maria Martins, advogado de outro arguido no processo Casa Pia (Carlos Silvino, o ex-motorista da instituição), pediu que fosse tirada uma certidão das declarações de Ferreira Diniz, a enviar para o Ministério Público. 

"São crimes públicos, muito graves, devem ser investigados. É insustentável, do ponto de vista da ideia de Direito e democracia, que um dirigente de um partido possa ajudar traficantes de droga a fugirem da ação da justiça para o estrangeiro", disse José Maria Martins no seu requerimento. 

No âmbito deste processo respondem ainda em tribunal, há mais de cinco anos e acusados de crimes sexuais contra alunos da Casa Pia de Lisboa, o embaixador Jorge Ritto, o ex-provedor adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona de uma casa em Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais de menores. 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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