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"Eu não vou para um conselho de administração", diz Louçã

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De saída do BE, Francisco Louçã considera que é preciso inovar e a direção bicéfala é a "solução para o século XXI". Num comício no Algarve, o líder garantiu que vai continuar a lutar pelos ideais do partido e defendeu a nacionalização do BPI e BCP.

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louça, defendeu, esta noite, que a sua sucessão representa a abertura a um novo ciclo político e que uma direção bicéfala é uma solução "para o século XXI".

"O que é estranho é que a sociedade não se faça representar nos partidos como ela é. No século XXI procuramos soluções para o século XXI", disse Louçã aos jornalistas à margem de um comício que teve lugar em Quarteira, Algarve.

Sublinhando a necessidade de abrir um novo ciclo político dentro do Bloco de Esquerda, o dirigente disse que a renovação tornará o partido mais forte "numa altura em que é preciso uma esquerda mais forte".

"O poder não deve ser exercido durante tempo demais" 

Justificou que o poder "não deve ser exercido durante tempo demais" e considerou que é útil para o partido "dar lugar a outras pessoas", de acordo com "o princípio republicano". 

Escusando-se a revelar o que fará depois de sair do partido, garantiu que estará "em todas as lutas", com "mais tempo" para as pessoas. 

"Sim, contem comigo, eu não vou para um conselho de administração. Eu vou estar aqui onde é preciso que haja ideias, combatividade, com um pé na rua, próximo das pessoas, porventura com mais tempo, fazer tudo o que me for pedido e for necessário para uma esquerda forte", disse. 

Escusando-se a comentar os dois nomes apontados para a sua sucessão - João Semedo e Catarina Martins -- refutou qualquer tentativa de condicionar a opinião dos militantes. 

"Cada pessoa tem a sua opinião e votará de acordo com ela, o que seria estranho seria eu não dizer o que penso. Eu não escondo a minha opinião", justificou. 

"BPI e BCP já estão a ser pagos pelo dinheiro de toda a gente"

Francisco Louçã defendeu a nacionalização dos bancos BPI e BCP, porque foram financiados pelo Estado e, portanto, "já estão a ser pagos pelo dinheiro de toda a gente". 

Louçã observou que o Governo pagou 6000 milhões de euros a esses bancos, o que perfaz várias vezes o seu valor. 

"Se o Estado português, com o dinheiro dos portugueses, pagou quatro vezes o valor do BPI e três vezes o valor do BCP, esses bancos devem ser postos ao serviço do crédito público, devem ser nacionalizados porque já estão a ser pagos pelo dinheiro de toda a gente", disse, sublinhando que devem ser usados "para dar crédito e ajudar a economia". 

A política de alguns bancos foi um dos alvos do dirigente bloquista, que criticou a possibilidade de as instituições de crédito aumentarem os juros do crédito bancário em caso de divórcio de um casal e defendeu um período de carência de juros para esses casos. 

"Fechar a porta à troika"

Durante o discurso, Louçã defendeu que Portugal "feche a porta à 'troika' e abra a porta à Europa", recusando o pagamento dos juros exigidos pelos credores internacionais. 

"Quando a Europa empresta 78 mil milhões e cobra 34 mil milhões em juros, percebe-se que a senhora Merkel se ria de nós, mais vale ser assaltado com uma pistola na mão", afirmou. 

"Cumprimos as nossas obrigações, pagamos o que devemos, mas não pagamos o que não devemos. A dívida abusiva não tem que ser paga", defendeu.