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Está decidido: PS vai apoiar Alegre

Depois da crispação dos últimos dias, direcção do PS tranquilizou o candidato presidencial, Manuel Alegre: o apoio é certo.

Cristina Figueiredo (www.expresso.pt)

O PS vai mesmo apoiar Manuel Alegre. Consciente de que não o fazer abriria uma grave guerra interna que poderia precipitar um Congresso e até, em última instância, custar-lhe a liderança do partido, José Sócrates enviou sinais ao candidato presidencial de que tudo "acabará por se resolver, mais tarde ou mais cedo".

Depois de o histórico socialista ter decidido avançar ainda sem garantias a aprovação do seu partido, e na ausência de uma alternativa com valor eleitoral idêntico ou superior ao do poeta, não se oferece outro caminho ao líder socialista que não seja... juntar-se-lhe na caminhada para Belém.

Informado disso, e revelando ter percebido os sinais de "descrispação" vindos do Rato Alegre fez derrapar por alguns dias o prazo que se tinha imposto para oficializar a candidatura: só formalizará a sua participação nas presidenciais de 2011 durante a primeira semana de Maio - e não até ao fim de Abril, como previsto inicialmente. E numa declaração para bons entendedores (feita quarta-feira à Lusa) (re)afirmou que conta com o apoio do PS: "A minha família política é o PS. A minha candidatura é suprapartidária, mas como já disse a minha casa política é o PS".

Mas entretanto, a direcção do PS vai mantendo que este não é um assunto prioritário. Em resposta à Lusa - que garantia que o calendário para o apoio do partido a Alegre tinha ficado "praticamente assente" na terça-feira, na sequência de um encontro entre José Sócrates e Francisco Assis -, o secretário nacional do PS para a organização, André Figueiredo, emitiu um curto comunicado na quarta-feira declarando, como aliás o Expresso já tinha noticiado, que não está marcada, nem perspectivada, qualquer reunião dos órgãos nacionais do PS - e serão estes a ter de ratificar a decisão sobre as presidenciais.

E nesse mesmo dia à noite, em Leiria, questionado pelos jornalistas à margem de um jantar-conferência promovido pela Liga de Amigos da Casa-Museu João Soares, José Sócrates insistiu que "este não é ainda o tempo" para o PS tomar decisões em matéria de eleições presidenciais. O tempo é, sim, esclareceu, para o PS se concentrar "na governação, naquilo que é absolutamente essencial para a recuperação económica".

Apoio sem entusiasmo

Mas não só: Sócrates também precisa de tempo para vencer as resistências, e não são poucas, que tem na sua direcção política ao nome de Alegre. Esta semana voltou a ser evidente a falta de entusiasmo de alguns dos socialistas mais próximos do secretário-geral, como Capoulas Santos: "Custa-me acreditar que o candidato do PS possa vir a ser o candidato do Bloco de Esquerda", afirmou o eurodeputado e membro do Secretariado num artigo de opinião publicado no semanário alentejano "Registo" e que foi propositadamente enviado à agência Lusa.

Também o presidente da Federação do PS do Porto, Renato Sampaio, disse num primeiro momento que lhe seria difícil apoiar alguém que é candidato "com o Bloco às costas". Mais tarde, porém, Sampaio garantiu que cumprirá a disciplina partidária que venha a ser definida, no que foi secundado pelo seu conterrâneo José Lello - outro dos que mais críticas têm tecido a Alegre. Haverá apoio, portanto. Mas sem qualquer entusiasmo.

Texto publicado na edição do Expresso de 17 de Abril de 2010