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Atualidade / Arquivo

ERC abre processo de averiguações ao Sol e à RTP1

Em causa está a divulgação da imagem do corpo de Rosalina Ribeiro.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu hoje abrir um processo de averiguações ao jornal Sol e à RTP1 pela divulgação da imagem do corpo de Rosalina Ribeiro.

O semanário Sol publica hoje a fotografia do corpo de Rosalina Ribeiro abandonado num ermo em Saquerna, Brasil, titulando "O Corpo do delito", e a RTP1, nota a ERC, "difundiu, em alguns dos seus serviços noticiosos, imagens dessa mesma fotografia".

"Considerando que as notícias em apreço podem contender com direitos fundamentais e com o respeito pela dignidade da pessoa humana, o Conselho Regulador [da ERC] decidiu abrir um processo de averiguações tendo por objecto os referidos conteúdos e, para esse efeito, notificar, ainda hoje, o jornal Sol e a RTP1".

José António Saraiva: "os jornais servem para informar"

O diretor do Sol, José António Saraiva, considerou hoje que o processo de averiguações que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) vai colocar ao título é um "disparate total".

"A ERC tem-se caraterizado pelo disparate total em relação ao Sol", disse José António Saraiva à agência Lusa

Para José António Saraiva, a imagem de capa do jornal é um "documento fantástico" que "prova as circunstâncias da morte" de Rosalina Ribeiro e "a probabilidade muito forte" de esta ter "morrido naquele dia".

"Os jornais servem para informar e não esconder a realidade", disse ainda o diretor do Sol à Lusa.

Azeredo Lopes relembra que Sol é "reincidente"

O presidente do Conselho Regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) relembrou o Sol é "reincidente" na divulgação de imagens de cadáveres, recordando um caso de 2008.

Na ocasião, o Sol apresentou conjunto de fotografias referentes, na sua maioria, ao cadáver do militar timorense, Major Alfredo Reinado, tendo a ERC considerado então que tal divulgação foi "reprovável" e violava a "dignidade da pessoa humana, bem como o direito à imagem dos visados, cuja proteção não cessa com a sua morte".

"Não conseguimos inventar qual o interesse jornalístico que não seja o de promover vendas à custa da imagem de um cadáver", considerou Azeredo Lopes em declarações à agência Lusa. O responsável sustentou que agora, depois de notificadas as entidades visadas, Sol e RTP1, será dado tempo para que estes "possam apresentar as suas razões" para a publicação da imagem.

Nuno Santos aguarda de "consciência tranquila"

O diretor de informação da RTP aguarda de consciência tranquila o desenvolvimento do processo e a direção de informação da RTP "está certa" que a ERC, cujo Conselho Regulador é constituído por pessoas que "merecem apreço", se move "sem nenhum juízo pré-concebido", declarou à agência Lusa o diretor de informação da RTP.