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"É muito provável que até 2013 a Al-Qaeda use uma arma de destruição em massa"

Numa entrevista ao Expresso, Graham Allison um dos maiores peritos mundiais em segurança nuclear e terrorismo, alerta a comunidade internacional para que perceba o risco que corre se nada fizer para combater a proliferação nuclear. Os terroristas estão no 'mercado' à procura de componentes para uma arma de destruição em massa.

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA

Graham Allison foi conselheiro especial do Governo Reagan e membro da comissão bipartidária do Congresso americano que avaliou a ameaça da proliferação de armas de destruição em massa e sua ligação ao terrorismo global.

Ao longo dos anos, trabalhou com diversos secretários de Defesa, entre os quais William Cohen (presidência Clinton) e Dick Cheney (presidência George H. Bush). Hoje é professor na "John F. Kennedy School of Government", na Universidade de Harvard.

A propósito da cimeira sobre segurança nuclear, que reuniu há uma semana 46 chefes de Estado e de Governo em Washington, o Expresso procurou entrevistá-lo.

O pedido foi acedido apenas ontem. Allison afirma que a comunidade internacional tem de perceber rapidamente o risco que corre, caso contrário uma bomba nuclear pode ser usada por um grupo extremista nos próximos três anos.

A Al Qaeda está assim tão perto de ter uma bomba nuclear?

Graham Allison: O Congresso americano formou uma comissão bipartidária para discutir o problema da proliferação de armas de destruição em massa e terrorismo. Eu participei nessa comissão. Concluímos há menos de dois meses que, se a comunidade internacional não for decidida e não agir com urgência contra esta ameaça, é muito provável que até 2013 a Al-Qaeda use uma arma de destruição em massa. Infelizmente, não é muito difícil para os extremistas deitar mãos a este tipo de armas. Bombas nucleares, ou componentes essenciais para o seu fabrico, podem ser encontrados em vários locais do mundo.

Qual o alvo provável, Europa ou EUA?

G.A.:O atentado pode ocorrer em qualquer local do mundo

Como avalia a cimeira de Washington?

G.A.:
A cimeira nuclear de Washington foi um acontecimento histórico. Apesar dos grandes desafios desta administração (da reforma do sistema de saúde à reforma do sistema financeiro, passando pela discussão de novas políticas ambientais), Obama percebeu o perigo de um ataque nuclear terrorista, que ele identificou, e bem, como a maior ameaça à segurança dos EUA no curto, médio e longo prazo. Conseguir, como ele conseguiu, reunir dezenas e dezenas de chefes de Estado e de Governo à sua volta para discutir o assunto é notável. Não tem precedentes. Agora, o que irá determinar o sucesso deste encontro será a quantidade de medidas tomadas pelos Governos internacionais para impedir um atentado terrorista nuclear. Se houver trabalho nesse sentido, então a cimeira foi um sucesso.

De que forma a reunião de Washington irá influenciar a cimeira de Nova Iorque que irá no próximo mês rever o Tratado de Não Proliferação Nuclear?

G.A:
Para impedir que uma bomba nuclear venha a explodir numa das nossas cidades é necessária uma forte cooperação internacional. A cimeira de Washington contribuiu decisivamente para que se criasse esse espírito de cooperação, o que pode revelar-se fundamental na revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, durante a cimeira do próximo mês, em Nova Iorque.

Como é que a Administração Obama irá lidar com o problema do Irão nos próximos meses. Acha possível que Washington consiga convencer Pequim a aprovar um novo pacote de sanções?

G.A:
Começa a surgir um consenso em redor de um novo programa de sanções contra o Irão. Há uma semana, a China, através do seu embaixador na ONU, Li Baodong, participou numa reunião de três horas do P5+1, grupo composto pelos cinco países com assento permanente no conselho de segurança da ONU (China, EUA, Rússia, França e Reino Unido) mais a Alemanha. O programa nuclear iraniano foi o tema forte. No final, o sr. Baodong afirmou que tinha existido uma negociação bastante construtiva. Recentemente, o próprio Presidente Obama revelou a expectativa de que o novo pacote de sanções seja aprovado "durante a Primavera".