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É "cada vez mais escasso o tempo" para o PSD se afirmar

O ex-candidato à liderança do PSD diz que todos os militantes sabem que o partido ainda não se conseguiu afirmar como alternativa e alerta que tem cada vez menos tempo para o fazer.

O social-democrata Pedro Passos Coelho considerou ontem que todos os militantes do PSD sabem que o Partido está com dificuldades em afirmar-se como alternativa e que é "cada vez mais escasso o tempo" para essa afirmação. 

Por outro lado, o ex-candidato à liderança do PSD afirmou que não baixaria os impostos neste momento e manifestou dúvidas quanto às intervenções do Estado no BPN e no BPP, embora considerando que "o Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira". 

À margem de um debate sobre a crise internacional organizado pela sua plataforma de reflexão política, "Construir Ideias", ontem à noite, Pedro Passos Coelho foi questionado se na sua opinião "os portugueses já perceberam que medidas tomaria o PSD para resolver esta crise". 

"Eu penso que se o País estivesse muito ciente do que é que representaria hoje um Governo do PSD não manteria nas sondagens o PS com o nível de indicação de voto que hoje tem", respondeu o ex-candidato à liderança do PSD, que foi derrotado nas eleições directas de 31 de Maio por Manuela Ferreira Leite.

Segundo Passos Coelho, "toda a gente no PSD, a começar na presidente do PSD e a acabar no seu mais modesto militante, sabe que o PSD tem ainda um problema de afirmação em termos de alternativa, isso está dito, também não muda, infelizmente, de um dia para o outro e começa a ser cada vez mais escasso o tempo em que essa mudança se tem de operar".  

"Eu espero que ela se opere porque o País precisa realmente de uma estratégia diferente. Já percebemos de que com o PS isso não vai acontecer e eu tenho esperança de que isso possa acontecer com o PSD", concluiu. 

Interrogado pelos jornalistas se defende uma descida de impostos neste momento, Passos Coelho respondeu que "Portugal tem uma carga excessiva de tributação" e que "o País precisa de baixar o nível da sua despesa pública porque só assim é possível obter níveis mais consentâneos de tributação".

"Se eu escolheria este momento para anunciar uma descida de impostos? Não. Eu seria muito criterioso quanto à oportunidade de, numa legislatura, em duas legislaturas conseguir convergir níveis de tributação para uma despesa pública que não pese mais do que 38 por cento, 40 por cento da riqueza criada no País. Ela hoje pesa quase 48 por cento. Temos de reduzir razoavelmente esse peso e isso não se faz de um dia para o outro nem se decreta de um dia para o outro", acrescentou. 

De acordo com Passos Coelho, o actual nível de despesa do Estado será suportável durante "muito pouco tempo". 

Sobre as intervenções do Estado em relação à banca, o ex-presidente da JSD manifestou "dúvidas de que tivesse sido necessária a nacionalização a cem por cento do BPN" e "dúvidas de que o Governo tenha estado bem" na intervenção no BPP.  

"Acho muito legítimo que o Parlamento requeira, com toda a transparência, mais informação sobre essas operações", disse.

Apesar disso, Passos Coelho considerou que "o Governo tem estado bastante bem nas respostas que tem encontrado para a crise financeira que, de resto, não são respostas muito originais, são concertadas ao nível europeu mas que têm funcionado bem em Portugal".