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Dezenas de espiões navegam nas Caraíbas

Agentes secretos norte-americanos discutem ameaça do terrorismo num cruzeiro no Mar das Caraíbas. O Expresso também segue a bordo deste Spycruise.

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA (www.expresso.pt)

Peter Morris teve uma carreira de mais de 30 anos como agente da CIA. Caminha com o auxílio de uma bengala do quarto até à sala de conferências, equilibrando-se a custo visto que está a bordo de um hotel ambulante de onze andares, que vagueia ao sabor de ondas de cerca de quatro metros.

A bordo do "Eurodam", um navio que transporta cerca de 3000 pessoas, pelo menos 150 (entre elas dezenas de agentes secretos) participam no SpiCruise, o cruzeiro de espiões, iniciativa promovida pela Univerisdade Henley-Putnam e que procura promover o debate sobre a ameaça do terrorismo, partindo das experiências no terreno dos espiões de topo da administração americana.

Entre as individualidades contam-se Michael  Heyden e Porter Goss, dois ex-directores da CIA.

No mar em busca de visibilidade

Morris chega à sala de conferências extenuado e protesta com o organizador do evento, o ex-espião Bart Bechtel. "Mas por que é que não fizeram isto num hotel em terra firme"?, pergunta o veterano dono de uma companhia de segurança privada.

Bechtel explica que o objectivo do Spycruise é chamar à atenção do público e dos media para a urgência do debate. "Quanto mais publicidade melhor porque é necessário discutir estes assuntos já", diz. Além do Expresso, organizações como a televisão BBC ou o jornal "Globe and Mail" também cobrem o evento.

Morris ouve a explicação e, seguidamente, senta-se num canto e aguarda pelas intervenções para ver se valeu a pena todo aquele esforço.

A sua mulher deixa-o. Lá fora, há sol e calor para desfrutar. Ao fim do dia, porém, Peter Morris está convencido. "A quantidade de informação posta a circular aqui é de ouro", confessa.

Obama segue Bush na luta contra o terrorismo

Ele ouviu o antigo porta-voz da CIA, Bill Harlow, descrever como é que a secreta americana geriu o dossiê das armas de destruição maciça que, embora nunca tenham sido encontradas, a organização tem a certeza que existiam. E rendeu-se às intervenções dos antigos directores da CIA, Porter Goss e Michael Heyden.

Goss explicou como o radicalismo islâmico procura ferir a América e Hayden referiu as semelhanças (superiores às diferenças) entre Barack Obama e o seu antecessor George W. Bush na luta contra o terrorismo.

O cruzeiro de espiões continua até sábado, com paragens em Porto Rico, Bahamas ou Ilhas Virgens. O Expresso online publicará esta semana crónicas diárias sobre a iniciativa e, na edição impressa de 27 de Novembro, uma reportagem alargada sobre o Spycruise, acompanhada de duas entrevistas exclusivas a Michael Hayden e Porter Goss.