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"Desacordo Ortográfico" enfrenta Acordo Ortográfico

O projecto do "Desacordo Ortográfico" não pretende opor-se ao Acordo Ortográfico, mas deseja provocar e valorizar as diferenças na língua portuguesa, diz o autor da antologia.

Uma provocação ao Acordo Ortográfico, é assim que considera o escritor gaúcho Reginaldo Pujol Filho a obra "Desacordo Ortográfico", antologia que acaba de organizar, publicada pela Não Editora, que será lançada dia 13, sexta-feira, em Porto Alegre.

"A ideia do Acordo ortográfico de unificação não vai a favor da literatura", afirma à Lusa o organizador do livro que reúne autores como os brasileiros Altair Martins, Luís Fernando Veríssimo, Manoel de Barros, Marcelino Freire, os portugueses Gonçalo M. Tavares, Patrícia Reis, João Pedro Mésseder, Luís Filipe Cristóvão, Patrícia Portela, os angolanos Ondjaki, Luandino Vieira, Pepetela, os moçambicanos Nelson Saúte, Rogério Manjate e a são tomense Olinda Beja.

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"É uma exaltação da diferença", caracteriza Reginaldo Pujol Filho. O projecto do desacordo não pretende opor-se ao Acordo Ortográfico, mas deseja provocar e valorizar as diferenças na língua portuguesa.

"Essa ideologia que rege esse tipo de Acordo vai contra os escritores que querem romper, transgredir, que querem trazer uma nova forma, um novo jeito de escrever", afirma Pujol Filho. Na verdade, o que se quer é fazer uma homenagem à língua-mãe.

"A diferença é mais legal do que ser igual"

Segundo o organizador da antologia, as discussões económicas têm o pensamento de unificação "de que as coisas melhores são as iguais". Contudo, refere, "a literatura fica num campo à parte, no campo do estranho, da tentativa".

Pujol Filho comenta sobre a plasticidade da língua portuguesa e como ela propicia a formação de neologismos "como fazem o Luandino Vieira e o Ondjaki". "Não vamos brigar e não vamos mudar o Acordo Ortográfico. Acreditamos que a diferença é mais legal do que ser igual". Para ele, o sentido de "aceitar as diferenças" insere-se num projecto ambicioso de reunir pessoas talentosas que ainda não foram publicadas no Brasil. 

"Tem gente chata que quer tirar o prazer de ler o 'contacto' com 'c' do Tavares, vamos ter que ler contato. O mais legal é ler os textos com a diferença", enfatiza ao referir que o critério para a selecção dos trabalhos para o livro era de que os autores estivessem vivos. Mas também seguiu critérios subjectivos, "autores que me cativam pela linguagem, que me estranham com sensibilidade e a subtileza, com jeito próprio de trabalhar a linguagem". 

Ano e meio de organização

O livro, que levou um ano e meio para ser organizado, reúne contos e poemas e está a ser lançado primeiro em Porto Alegre, mas ainda poderá ser divulgado noutras capitais brasileiras. 

O projecto do "Desacordo Ortográfico", idealizado em 2007 por Pujol Filho, tem ainda o sonho de alcançar "o outro lado" e extrapolar os limites nacionais do Brasil rumo a outros países lusófonos. 

"Desacordos-desencontros são vias necessárias para chegar aos acordos-encontros que todos procuramos", destaca Pepetela num comentário escrito sobre o "Desacordo Ortográfico".