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Cuidado: Facebook pode custar-lhe o emprego

Facebook já faz parte das nossas vidas e é mais influente no que fazemos do que se possa pensar.

João Oliveira (www.expresso.pt)

Se está no trabalho e tem a sua página do Facebook aberta, recomendamos que leia isto e pense duas vezes na próxima vez que aceitar um pedido nesta rede social.

Hoje, quando se está à procura de trabalho, não basta apenas ter um currículo rico e bem apresentado. O que se publica nas páginas do Facebook, MySpace ou nos blogues pessoais também é importante e tem vindo a ganhar uma relevância cada vez maior.

Atente-se neste exemplo:Chris Dreyfus é inspector da Polícia de Transportes, encarregue da protecção da Família Real e do Governo britânicos. Foi-lhe oferecido o posto de capitão da Polícia de Bedfordshire e foi entrevistado para o cargo a 13 de Fevereiro.

Depois de o responsável da polícia de Bedfordshire ter feito alguns contactos sobre o inspector, descobriu que lhe tinha sido dada uma repreensão sobre a sua página pessoal do Facebook e retirou a proposta de emprego. Num comunicado à BBC, a polícia de Bedforshire revela: "Foi-nos dito que tinha um processo e, assim, não pudemos manter a proposta".

Esta repreensão surgiu no seguimento de se ter descoberto vários detalhes gráficos sobre o modo de vida gay que o inspector mantinha e ainda várias fotografias onde aparecia a posar fardado no Metro de Londres.

"Primeiro dia de trabalho. OMG (oh my god, ó meu deus), tão chato!"

Veja-se, agora, este outro caso: Kimberley Swann é uma jovem de 16 anos, que até há pouco tempo trabalhava na empresa Ivell Marketing & Logistics (IM&L).

Durante as primeiras semanas, Kimberley publicou no seu perfil do Facebook alguns comentários menos positivos sobre o trabalho na IM&L. No primeiro dia, desabafou na sua página pessoal: "Primeiro dia de trabalho. OMG (oh my god, ó meu deus), tão chato!".

Dois dias depois, novo comentário menos abonatório: "Tudo o que faço é destruir papel, furar folhas e digitalizar documentos! OMG!" e, duas semanas mais tarde: "Estou tão aborrecida...".

Três semanas depois de ter começado a trabalhar, foi chamada ao gabinete do patrão, onde lhe foi comunicado que não trabalhava mais para a IM&L.

Numa carta que lhe foi entregue em mão pode ler-se: "No seguimento dos seus comentários feitos no Facebook acerca do seu trabalho e da empresa, pensamos ser melhor, visto que não está feliz com a sua situação e o seu trabalho, terminar o seu contrato com a Ivell Marketing & Logistics, com efeito imediato".

Em sua defesa, Swann alega que não referiu "o nome da companhia, apenas que o seu trabalho era aborrecido. Eles estavam apenas a ser metediços. (...) É claro que o trabalho era chato no início, mas eu sabia que iria tornar-se mais interessante. Eu estava feliz por trabalhar ali, apesar de eles dizerem que não. Não é justo, mas também não há nada que eu possa fazer".

FarmVille banido dos computadores municipais em Coimbra

Em Coimbra, o FarmVille, uma aplicação bastante popular no Facebook, foi banido dos computadores municipais.

Carlos Encarnação, presidente da Câmara de Coimbra, justifica que "os computadores da Câmara Municipal de Coimbra estão ao serviço público que é exercido pelos funcionários enquanto estão a trabalhar", mas sim para trabalhar. Fora da autarquia, os funcionários "podem fazer o que quiserem para satisfazer os seus interesses ou desejos", acrescenta.

Esta decisão partiu do Departamento de Administração Geral e Recursos Humanos, depois de uma funcionária ter sido apanhada a jogar FarmVille.

Um estudo recente revela que 45% dos patrões consultam os perfis nas redes sociais dos candidatos a emprego, o que significa um crescimento de 23% em relação a 2008. O mesmo estudo acrescenta que 35% dos empregadores admitiram rejeitar candidatos baseando-se no que encontram nos perfis do Facebook.

Esta investigação apresentou ainda algumas razões invocadas pelos patrões para rejeitar candidatos:

- Fotografias ou informações desapropriadas - 53% - Uso de drogas ou álcool - 44% - Falar mal do emprego anterior, de colegas ou clientes - 35% - Má capacidade comunicativa - 29% - Comentários abusivos, discriminatórios ou desrespeitadores - 26% - Qualificações académicas falsas - 24% - Fuga de informação em empregos anteriores - 20%

Ficam ainda alguns conselhos para ser-se bem sucedido em entrevistas de emprego:

- Apagar ou esconder o perfil do Facebook e tentar impressionar o empregador através da forma tradicional: a entrevista; - Editar o perfil do Facebook, MySpace ou blogue pessoal de forma a conter apenas uma parte da sua vida pessoal; - Não concorrer a empregos em que os patrões usem as redes sociais para determinar o seu valor.