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Cuba liberta dois importantes dissidentes

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Cuba libertou hoje seis presos políticos. Dois deles pertencentes ao Grupo dos 75, que haviam recusado o exílio em EspanhaHector Maseda, marido da líder das damas de Branco, Laura Pollán, e Eduardo Díaz Fleitas.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Foi hoje libertado o emblemático dissidente cubano Hector Maseda, marido da líder das damas de Branco e condenado a 20 anos de prisão, durante a "Primavera negra" em 2003. Cuba libertou, também, Eduardo Díaz, um agricultor de 59 anos, condenado no mesmo ano a 21 anos de prisão.

Hector Maseda e Eduardo Díaz vão continuar na ilha.

Além desses dois dissidentes, reconhecidos como prisioneiros de consciência pela Amnistia Internacional, o arcebispo de Havana anunciou a libertação de outros quatro presos políticos: Felipe Ramón Pibno García, Osmel Aguilera Carpio, Juan Junior Padrón Sánchez e Rafael Jorrín García, que viajarão para Espanha nas próximas semanas, junto com os seus familiares.

Greve de fome

"Farei tudo o que estiver a meu alcance para que a democracia reine em meu país", disse Eduardo Díaz, adiantando que iniciará no próximo dia 23 de fevereiro uma greve de fome de cinco dias, para marcar o primeiro aniversário da morte do dissidente Orlando Zapata em seguida a 85 dias de jejum.

Eduardo Díaz disse ter sido advertido de que seria detido novamente se incorresse "em qualquer violação". "Assim, não estou em liberdade propriamente, estou preso no grande cárcere que é Cuba, sem direito a viajar", acrescentou, contando que antes de deixar a prisão foram-lhe retiradas as notas que escreveu e até a sua agenda de telefones.

Díaz recusou o exílio em Espanha, preferindo ficar na Ilha para continuar lutando pela democracia, pelos direitos humanos e a libertação dos demais presos políticos.

"Continuarei a lutar pela democracia em Cuba, por isso decidi ficar", disse à AFP, por telefone de sua casa em Consolación del Sur, Pinar del Río, 130 quilómetros a oeste de Havana, para onde foi levado por três agentes de segurança.

A sua libertação ocorre uma semana depois que deixou a prisão o primeiro dissidente de um grupo de 11 que rejeitou o exílio na Espanha.

No total, são 64 os prisioneiros que aceitaram a oferta de exílio por parte de Espanha. Desse grupo, 40 são membros do Grupo dos 75. Maseda e Díaz fazem parte dos 52 dissidentes desse grupo que o Presidente cubano, Raúl Castro, se comprometeu a libertar em julho do ano passado, fruto de um acordo com a Igreja Católica.

Sete outros opositores do regime continuam presos.