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Costa e Roseta trilham 'terreno de entendimento'

Na apresentação do acordo de cooperação para o resto do mandato, o presidente e a vereadora falaram das 'tarefas partilhadas'. Roseta coordenará o plano local de habitação, para repovoar a cidade. Os Cidadãos por Lisboa ficam ainda responsáveis por um projecto na área intercultural.

As conversações começaram em Maio mas só agora chegaram a bom porto. Nesta tarde (terça-feira), numa conferência de imprensa convocada horas antes, António Costa e os vereadores dos Cidadãos por Lisboa (Helena Roseta e Manuela Júdice) apresentaram aos jornalistas um acordo de cooperação para o que resta de mandato. "São tarefas, não são pelouros", sintetizou Roseta.

Helena Roseta ficará encarregada de elaborar um programa local de habitação para Lisboa. O trabalho será feito em colaboração com os pelouros da Habitação, do Urbanisno e do Património (actualmente nas mãos de três vereadores). O plano estratégico será depois submetido a aprovação pela Câmara Municipal.

Costa disse que o objectivo é "repovoar a cidade de Lisboa", pois "melhor habitação significa melhor qualidade de vida". Roseta afirmou que o método de trabalho será o de ter "tarefas partilhadas". "Não será cada um no seu cantinho", frisou.

A actual nº 2 da lista dos Cidadãos por Lisboa (depois da saída, em Maio, de Manuel João Ramos), Manuela Júdice, irá coordenar o projecto "Lisboa, encruzilhada de mundos", em articulação com António Costa. Trata-se de um evento multicultural internacional, previsto para o próximo ano.

As propostas de Helena Roseta e de Manuela Júdice poderão ser submetidas a sessão de câmara dentro de três semanas, admitiu aos jornalistas a líder dos Cidadãos por Lisboa. Nos termos do acordo hoje (terça-feira) anunciado, cabe às duas vereadoras apresentar a descrição dos projectos, o calendário de execução e a estimativa de custos, assim como a previsão de meios humanos e técnicos necessários.

Manuela Júdice ficará como vereadora a tempo inteiro, enquanto Roseta não receberá qualquer remuneração além das senhas de presença que aufere enquanto eleita sem pelouro.

Na presença dos outros vereadores socialistas (com excepção de Ana Sara Brito) e de José Sá Fernandes, do Bloco de Esquerda, Costa e os Cidadãos por Lisboa sublinharam que este acordo não condiciona a liberdade de voto. Mas quando se entra na segunda metade do mandato - iniciado há pouco mais de um ano (com as eleições intercalares de 15 de Julho de 2007) -, a relação de forças no executivo municipal ganha, assim, nova expressão.

Até ao momento, a aliança do PS com o Bloco de Esquerda apenas dava a Costa sete vereadores (contra 10 da oposição). Agora, com os dois eleitos dos Cidadãos por Lisboa, o presidente consegue uma maioria de votos (nove contra oito), ficando estabelecida uma aproximação política que poderá ser decisiva para aprovar propostas que, de outro modo, corriam o risco de ser chumbadas.

Roseta repetiu uma palavra de ordem do seu movimento: "Ser parte da solução e não do problema". Questionado pelos jornalistas sobre as razões pelas quais este entendimento apenas se concretiza agora, António Costa esboçou um sorriso e respondeu: "Tudo precisa do seu tempo".