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Congresso do PC chinês tranca pombos nas gaiolas

Para impedir eventuais protestos em Pequim, onde está reunido o Partido Comunista Chinês, as autoridades proibiram os pombos amestrados e os aviões telecomandados. Podiam ser usados para distribuir panfletos...

Carlos Abreu (www.expresso.pt)

Um milhão e quatrocentos mil polícias vigiam Pequim na semana em que os 2200 membros do Partido Comunista Chinês, reunidos em congresso no Grande Palácio do Povo, escolhem os 200 membros do Comité Central, que por sua vez elegerá os 25 membros do politburgo, o órgão executivo.

Segundo o corresponde do "El País" na capital chinesa, os taxistas foram obrigados a retirar as manivelas das portas de trás para impedir a abertura das janelas, evitando desta forma o lançamento de panfletos. O regime proibiu ainda o voo de pombos amestrados e de aviões telecomandados.

No seu relato feito a partir da capital chinesa, José Reinoso conta ainda que dezenas de ativistas e dissidentes estão em prisão domiciliária, alguns dos quais foram obrigados a sair da cidade até ao final do congresso. A Praça Tiananmem, refere ainda o jornalista, está fechada ao público.

Corrupção ameaça regime

A repressão nas ruas contrasta com o longo discurso de abertura do Presidente Hu Jintao, que durou 90 minutos (em 2007 falou 2h30), onde o chefe de Estado afirmou: "Devemos continuar a esforçarmo-nos para levar a cabo a reforma do sistema político, e ampliar a democracia popular, de alcance mais completo e prática mais sólida."

No entanto, acrescentou Jintao, que em março do próximo ano será substituído na presidência pelo atual vice-presidente Xi Jinping, a China "nunca copiará um sistema político ocidental", afastando desta forma o multipartidarismo.

Na sua intervenção, o Presidente chinês retomou ainda o recorrente tema da corrupção, abordado no congresso de 2002, ano em que chegou ao poder, mas também em 2007. "Se não formos capazes de gerir bem este problema, poderá ser fatal para o partido e o próprio Estado", disse.

Hu Jintao saberá do que fala. Afinal, proibir os pombos e os aviões telecomandados não há de ser suficiente para reprimir eternamente os protestos contra a generalização da corrupção, que subiram de tom ao longo dos últimos anos, e que o correspondente do "El País" classifica como "um dos principais motivos de descontentamento da população".