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China e Rússia esgotam matérias-primas à velocidade da luz (vídeo)

Relatório das Nações Unidas mostra realidade preocupante. Velocidade a que o Homem está a gastar os recursos pode pôr em causa a vida normal já em 2020.

Mário Lino (www.expresso.pt)

O relatório do Programa de Ambiente das Nações Unidas incide sobretudo na área da Ásia-Pacífico, que inclui alguns dos países com maior índice de crescimento das últimas décadas, como a China e a Rússia.

Segundo as Nações Unidas (NU) será necessária em breve uma nova revolução industrial "verde", que faça com que o consumo de matérias-primas, tais como os minerais de construção, o petróleo e o carvão seja reduzido em cerca de 80 por cento. Segundo o documento essa redução drástica não deverá pôr em causa o duplo objectivo de aumentar o padrão de vida material das pessoas e reduzir a pobreza.

O desafio será encontrar infraestruturas eficientes de utilização dos recursos associados a energia, transportes e habitação, sabendo de antemão que com o desenvolvimento rápido destes países existe uma enorme quantidade de novas infra-estruturas já planeadas. "Há uma janela de 20-30 anos de oportunidade para essa transformação", advertem as Nações Unidas, lembrando que a região Ásia/Pacífico é hoje a região mais dinâmica do mundo. 

Cada vez mais carvão para a eletricidade

O problema é que à semelhança de outros países em rápido crescimento, estas economias estão a transitar rapidamente do modelo agrário para uma economia industrializada, o que leva a pressões constantes sobre a extração de recursos naturais, sobretudo combustíveis fósseis, minérios metálicos e biomassa (floresta). No total em 2005, a extração destes recursos ascendeu a cerca de 32 biliões de toneladas, ou 8,6 toneladas per capita. 

Segundo o relatório o consumo interno de materiais cresceu a uma taxa de capitalização anual  de 4,9% ao longo das três décadas entre 1975-2005 ao passo que o crescimento correspondente da taxa para o resto do mundo rondou apenas 0,5%.

A procura de recursos tem levado a importações em muitos dos países, após esgotarem a capacidade instalada das suas próprias matérias-primas e o processo industrial acarreta outros custos, como poluição e consequente perda da biodiversidade e deterioração dos ecossistemas, bem como o aumento da emissão de gases de efeito de estufa.

Ainda que a região tenha aumentado a capacidade de produção energética própria - que ainda assim só atingirá os 50% em 2028 - também isso tem provocado o aumento das emissões de dióxido de carbono, sobretudo devido ao consumo de carvão na produção de energia elétrica.

Água é questão central 

Por fim, o relatório alerta para uma questão central no planeta, o consumo e armazenamento de água na região. Entre 1985 e 2000, todas as sub-regiões aumentaram as retiradas de água, muitas delas além do limite. "A situação é grave na Ásia Central, especialmente no Uzbequistão, Turquemenistão e Tajiquistão. Esses países já estão a retirar mais água por ano do que é disponível a partir de fontes renováveis", avisam as Nações Unidas. 

De acordo com os especialistas da instituição a transição para um sistema industrial  sustentável terá de passar por novas formas mais eficientes de utilização dos recursos naturais, políticas de apoio ao uso eficaz dos recursos e a sistemas de inovação, impostos ecológicos e a reformas económicas.