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Chicago vira costas a Obama

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Ao contrário de há quatro anos, Chicago ignora Obama, o político da terra. Conscientes de que a mobilização é diferente, os democratas transferiram o local da possível festa de amanhã para um espaço menor. 

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA (www.expresso.pt)

Chicago é a cidade onde Obama cresceu para a política. Há quatro anos, perto de um milhão de pessoas enchiam o "Grant Park" e a "Michigan Avenue", os principais pontos da baixa, festejando a vitória do candidato da terra, o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca.

Hoje tudo é diferente. Ao contrário de 2008, as bancas com parafernália do candidato, os cantores, animadores e os grupos de jovens voluntários que percorriam a cidade na caça ao voto, simplesmente, desapareceram.

Obama até pode a contar com os votos de Chicago, possivelmente com a vitória amanhã, mas a festa não será a mesma.

"Desta vez, as pessoas estão mais reservadas. Há quatro anos, Obama tinha uma aura quase divina e um discurso de mudança. Hoje é apenas mais um deles, mais um político de Washington a pedir o voto", explica ao Expresso Sandy Cooper, uma funcionária do "McCormick Place", o centro de congressos em Chicago onde a máquina democrata se instalou e onde Obama irá discursar amanhã, após se conhecerem os resultados.  

Em 2008, Obama discursou no "Grant Park", rodeado de cerca de um milhão de pessoas. Segundo a organização, a troca tem que ver com o simples facto de que este ano não seria de esperar o mesmo banho de multidão.

Já não há história para escrever

O ambiente em Chicago ilustra o estado de espírito da maior parte da América que apoia a reeleição do seu Presidente. Durante a campanha os comícios foram mais pequenos e a afluência de espectadoresmenor, significativamente.

"Em 2008 a campanha oferecia às pessoas a oportunidade de participarem na história do país e de fazerem parte da memória colectiva. Este ano isso não existe. Obama será avaliado não em função de promessas abstractas de mudança e esperança, mas na base nos quatro anos de governação. E se muitos democratas compreendem que ele herdou uma economia em cacos, muito torcem o nariz à lenta recuperação", explica-nos o historiador Julian Zelizer, professor na Universidade de Princeton.

Fartos de campanha

George Morton é dono do bar "Jimmy Greens", na zona sul de Chicago. Apoiante de Obama, sobreviveu nos últimos anos a uma economia em estado anémico. "As pessoas consomem muito menos. Acho que estão à espera dos resultados de amanhã".

Questionado sobre a apatia da cidade, Morton diz: "As pessoas vão votar na mesma em Obama. Dito isto, estamos fartos de campanha eleitoral. Meses e meses de anúncios, telefonemas, uns a chamarem nomes aos outros... Estamos pelos cabelos. Queremos votar e acabar com isto de uma vez por todas".

Veja algumas imagens desta manhã no "McCormick Place", o centro de congressos onde o Obama se instalará amanhã e onde irá proferir o discurso da noite eleitoral:
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