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CGTP e UGT comemoram 1 de maio de costas voltadas

As comemorações da UGT e da CGTP no 1º de maio voltam a ser separadas, mas há muito que as posições das duas centrais sindicais não estavam tão afastadas

As centrais sindicais vão comemorar o Dia do Trabalhador a defender os direitos conquistados em abril de 1974, mas de costas voltadas porque a CGTP responsabiliza o acordo de concertação social, subscrito pela UGT, pela desregulação laboral. As comemorações em separado não são uma surpresa pois sempre foi assim desde a criação da UGT, mas há muitos anos que as posições não estavam tão afastadas. A CGTP sempre fez questão de assinalar a data como "dia de festa e de luta", apelando à participação dos trabalhadores em torno de reivindicações específicas, dependendo da conjuntura económica e social. A revisão da legislação laboral, resultante do acordo de concertação social, e a redução das prestações sociais serão, segundo o secretário-geral da CGTP, os grandes temas da Intersindical neste 1.º de maio. "Obviamente que o acordo de 18 de janeiro marca o reposicionamento quanto à defesa dos direitos dos trabalhadores. Entendemos que o acordo é mau, está provado que é uma forma de desequilibrar ainda mais as relações de trabalho a favor dos patrões", disse à agência Lusa Arménio Carlos acrescentando que já a última revisão da legislação laboral não melhorou a competitividade das empresas e prejudicou a contratação coletiva.

Protesto contra a desregulamentação laboral

Para o sindicalista, a revisão do Código do Trabalho, em curso, é "uma substituição programada da contratação coletiva pelas relações individuais de trabalho" Sob o lema "Contra a exploração e empobrecimento, Mudança de política", a CGTP protesta este ano contra a desregulamentação laboral,  e ainda a redução da proteção social, reivindicando a dinamização da economia, mais e melhor emprego, melhores salários e serviços públicos. Segundo Arménio Carlos o país está a assistir a "um recuo inimaginável das funções sociais do Estado". "O que está em marcha é uma atitude revanchista do Governo e do patronato de acerto de contas com os direitos conquistados com a revolução de 25 de abril de 1974", disse. Para o secretário-geral da UGT o afastamento entre as duas centrais também é visível, mas desdramatiza o efeito do acordo de concertação social no relacionamento entre ambas. "A UGT sempre tem feito acordos de concertação e a CGTP nunca faz. Não estou preocupado com a posição da Inter mas sim com os problemas do país e a defesa dos trabalhadores neste 1.º de Maio", disse João Proença à agência Lusa.

Há interesses comuns

O sindicalista lembrou que, no entanto, existem interesses comuns, como a publicação das Portarias de Extensão, e que a UGT está a fazer o que pode para resolver o assunto. Este ano o lema da UGT será o "Crescimento e emprego e Justiça social" com a promessa de defender a contratação coletiva, combater a desregulação social e praticar o sindicalismo responsável. "A grande preocupação da UGT é o desemprego galopante e a incapacidade do governo para lhe dar resposta", disse João Proença. A UGT usou durante anos os jardins da Torre de Belém para festejar, mas ultimamente tem optado por um 1.º de Maio mais reivindicativo, com desfile na Avenida da Liberdade, que se vai repetir na terça-feira. A Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, tem sido o local tradicional para finalizar o desfile da CGTP, a que aderem normalmente muitos milhares de pessoas, e onde Arménio Carlos fará a sua primeira intervenção politico-sindical do Dia do Trabalhador, enquanto líder da Intersindical.