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Cavaco Silva fala às 20h00

O Presidente da República vai fazer hoje, às 20h00, uma "declaração à comunicação social", segundo uma nota divulgada no site da Presidência.

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, faz hoje (terça-feira) às 20h00 uma "declaração à comunicação social".

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"O Presidente da República fará amanhã [terça-feira], dia 29 de Setembro, às 20h00 horas, uma declaração à comunicação social", refere uma nota divulgada ontem no site da Presidência da República, sem adiantar, contudo, qual será o teor da comunicação.

As alegadas "escutas a Belém" e a polémica em torno do eventual envolvimento do Presidente da República nas notícias que denunciaram a suspeita de vigilância foram recorrentes durante a campanha eleitoral.

No domingo, quando confrontado pelos jornalistas sobre quando falaria sobre o chamado 'caso das escutas' e sobre o afastamento do seu assessor Fernando Lima, o Presidente da República limitou-se a dizer que manteria "silêncio total" até ao dia das eleições.

"Eu disse que manteria um silêncio total até ao dia das eleições", sublinhou, à saída da escola em Lisboa, onde votou para as eleições legislativas de domingo.

Já durante o período oficial da campanha para as legislativas, o Chefe de Estado afastou Fernando Lima, que trabalhava consigo há mais de 20 anos, do cargo de responsável pela assessoria para a Comunicação social da Presidência da República.

Esta demissão aconteceu dias depois do 'Diário de Notícias' (DN) ter noticiado que Fernando Lima foi a fonte do jornal 'Público' nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual, Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.

Essa suspeita foi formulada a propósito de críticas do PS à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD.

Na notícia do 'Público', uma fonte de Belém questionava a forma como os socialistas poderiam saber dessa participação: "Como é que os dirigentes do PS sabem o que fazem ou não fazem, os assessores do Presidente? Será que estão a ser observados, vigiados? Estamos sob escuta, ou há alguém na Presidência a passar informações? Será que Belém está sob vigilância?"

Antes, o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, já tinha adiantado o nome de Fernando Lima como a fonte da notícia do 'Público' em entrevista à SIC.

Foi na sequência desta manchete que o 'Público' noticiou que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.

O 'DN' publicou uma alegada mensagem de correio electrónico entre o editor de política do 'Público', Luciano Alvarez, e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.

O director do 'Público', José Manuel Fernandes, depois de, numa primeira reacção, ter envolvido a "secreta" portuguesa numa alegada violação da correspondência entre os dois jornalistas, revelou na 'SIC Notícias' não haver "nenhum indício que tenha havido violação externa" das mensagens electrónicas.

No dia em que o 'DN' noticiou que Fernando Lima foi a fonte do diário 'Público' nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, Cavaco Silva recusou comentar a notícia mas disse que, depois das eleições, iria tentar "obter mais informações sobre questões de segurança".

"Depois das eleições, não deixarei de tentar obter mais informações sobre questões de segurança. O Presidente da República deve preocupar-se com questões de segurança", afirmou Cavaco Silva, em Cascais, à margem da inauguração da exposição da pintora Paula Rêgo.