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Cavaco criticado por biógrafo de Salgueiro Maia

Para António Sousa Duarte, a homenagem hoje feita pelo Presidente da República ao capitão de Abril é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro". (Veja vídeo no fim do texto)

O investigador António Sousa Duarte critica o Presidente da República por ter homenageado Salgueiro Maia, 20 anos depois de, enquanto primeiro-ministro, lhe ter recusado uma pensão, considerando que a homenagem de hoje é "envergonhada, tímida e sem chama".

Para António Sousa Duarte - autor de uma biografia sobre aquele capitão de Abril, intitulada "Salgueiro Maia - Um homem da Liberdade" -, a homenagem desta manhã é "justa", mas "tímida, envergonhada, discreta e muito fugaz", sendo ainda "um erro em cima de outro erro", ou seja, "um duplo erro". 

Em declarações à agência Lusa, António Sousa Duarte considera que embora não se pedisse hoje ao Presidente da República que fizesse um "pedido de desculpa" em relação ao que fez há 20 anos, ter-lhe-ia "bastado, com humildade, dizer que, em circunstâncias análogas, não faria o que fez há 20 anos". 

Para o investigador, a homenagem de hoje do Presidente é a "assumpção" e o "reconhecimento" de "um erro". 

O autor da biografia de Salgueiro Maia afirma que "de homenagens póstumas está Salgueiro Maia farto". Considera também que a iniciativa de hoje do PR foi "tenuamente anestesiada", o que "prova" que "continua tudo como dantes".

Em 1988, o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusou atribuir a Salgueiro Maia uma pensão, que tinha sido pedida pelo capitão de Abril pelos "serviços excepcionais e relevantes prestados ao país" devido à sua participação no 25 de Abril, para a qual nunca obteve resposta, segundo declarações da viúva do militar. 

Aliás, a opinião de António Sousa Duarte contrasta com a da viúva do capitão de Abril, Natércia Salgueiro Maia, que em declarações ao jornal

"Público" relativiza a controvérsia da não atribuição de pensão ao marido. Natércia Salgueiro Maia afirmou ao jornal diário que não seria "altura para entrar em polémicas". 

A recusa ou a falta de resposta ao pedido de Salgueiro Maia só vieram a público três anos depois, quando Cavaco Silva concordou com a atribuição de pensões a dois ex-inspectores da PIDE, um dos quais estivera envolvido nos disparos sobre a multidão concentrada à porta da sede daquela polícia política. 

Só em 1995, já com António Guterres como primeiro-ministro, Salgueiro Maia viria a receber, a título póstumo, uma "pensão de sangue".