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Caso Crespo foi "fotonovela sem clímax"

O ministro da Presidência, Jorge Lacão garante que não há problemas de liberdade de expressão. Quanto ao caso Mário Crespo, foi "um facto virtual, completamente destituído de relevância."

Rosa Pedroso Lima (www.expresso.pt)

É a 32ª audição no âmbito dos trabalhos da comissão de ética sobre o exercício da liberdade de expressão em Portugal. "Uma longa maratona de audições", como dizem os deputados, que já leva mais de 52 horas de trabalhos está a chegar ao fim com o depoimento de Jorge Lacão, ministro da Presidência. O governante acha que tudo o que se retirou destas horas de trabalhos não passou de "abordagens do tipo impressionista". "Gosto do impressionismo, mas o que o caracteriza é a subjectividade", disse Jorge Lacão, para quem não existe qualquer problema de liberdade de expressão em Portugal, nomeadamente no que toca ao direito a informar e a ser informado.



Mas foram os casos do Jornal Nacional de Sexta - "um sub-produto", segundo o ministro - e a crónica censurada de Mário Crespo que mereceram maiores atenções de Jorge Lacão. "Fui um dos membros do Governo que estava num determinado dia, num determinado lugar", disse, parafraseando o arranque da crónica do pivô da SIC Notícias. "Razões meramente circunstanciais", assume, reuniu o primeiro-ministro e dois membros do Governo no mesmo restaurante em que almoçavam Bárbara Guimarães e Nuno Santos, director de programas da estação de Carnaxide.



Conversa "banal"



De acordo com o relato feito pelo ministro da Presidência, "fez-se a conversa mais banal, mais urbana e mais circunstancial", onde "houve oportunidade para se falar dos gostos relativos com que cada um via os programas de televisão. Mais nada".



Confessando-se "perplexo" com o impacto causado pela crónica de Mário Crespo e as suas repercussões na Comunicação Social, Jorge Lacão considerou que se formou "uma realidade a partir de um facto virtual". Uma "fotonovela, ou novela, como lhe queiram chamar, que não passa de uma história sem clímax e completamente destituída de relevância", concluiu.