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Cartaz de Barceló provoca corrida às paredes de Barcelona

Um cartaz desenhado pelo pintor Miquel Barceló para assinalar a última tourada realizada em Barcelona está provocar um enorme frenesim junto de colecionadores.

Tiago Oliveira (www.expresso.pt)

Miquel Barceló é um dos mais conceituados pintores contemporâneos espanhóis e, provavelmente, o mais valioso comercialmente. As peças da sua autoria estão expostas por todo o mundo, já vendeu obras por milhões de euros e, em 2004, tornou-se o pintor mais jovem de sempre a expor no Museu do Louvre em Paris.

Contudo, a sua última pintura está disponível para o mais afortunado ou, paciente, levar para casa de forma gratuita.



Confuso? É muito simples. O que se passa é que o artista de Palma de Maiorca voluntariou-se para desenhar o cartaz que publicita um evento seminal na vida de Barcelona.

A Praça Monumental vai assistir, no domingo, à última tourada a ser realizada na capital catalã, após a decisão do Parlamento Catalão, no ano passado, em banir as corridas de touros.

"Nunca vi nada assim"

Assim sendo, foram criadas 1500 cópias do cartaz, que foram espalhadas por toda as ruas da cidade. O resultado foi uma verdadeira corrida dos colecionadores de arte às paredes de Barcelona para levarem para casa toda e qualquer cópia que conseguissem encontrar do cartaz de Barceló.

A desenfreada procura transformou, do dia para a noite, o cartaz recentemente espalhado num valiosíssimo item de coleção.

O desejo de possuir uma cópia é tal que os últimos dias têm presenciado longas filas a serem formadas à porta da companhia responsável por distribuir os cartazes. Em declarações ao "La Vanguardia", o presidente da empresa, Carles Cunillera, confessa ter ficado espantado perante a avalanche de colecionadores.



"Em 30 anos de afixação de cartazes nunca vi nada assim. Temos vindo a dizer ás pessoas que estamos autorizados a distribuir cópias por particulares", revelou.



Alguns dos quadros mais valiosos e famosos de Barceló estão relacionados com o tema das Touradas, uma das facetas mais míticas da cultura espanhola. Não admira, portanto, que o quadro mais caro do pintor, vendido por mais de quatro milhões de euros, esteja precisamente relacionado com a tauromaquia.