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Camiões podem andar a restos de papel (vídeo)

Circular a partir de estrume de porco ou de lixo dos aterros? Ou aproveitar restos da pasta de papel, para abastecer camiões? As opções, por ridículas que pareçam, estão mais perto do que poderia julgar para abastecer os camiões TIR.

Mário Lino (www.expresso.pt)

Automóveis elétricos ou híbridos, que prometem revolucionar o ambiente, já não são grande novidade para os automobilistas, mas não resolverão a maior parte das emissões de dióxido de carbono no transporte rodoviário. Só que agora, os irmãos pesados começam a poder também deixar de depender só do petróleo. E não são meras experiências de laboratório, já estão na estrada.

Durante um período de duas semanas, mais de 90 jornalistas de várias partes do mundo testaram três tipos de camião, movidos a combustíveis alternativos. "Queremos mostrar a excelente qualidade destes camiões. Eles são veículos eficientes que estão a aproximar-nos de uma solução para o transporte sustentável", garante Lars Mårtensson, Diretor Ambiental da Volvo Trucks.

Não é ficção científica

As vendas de camiões híbridos diesel/metano arrancou na primavera, enquanto o bio-DME (dimetil éter) - produzido a partir do licor negro, efluente do fabrico da pasta de papel - é um combustível de próxima geração que está atualmente ainda em testes de campo. Para além disso, a marca sueca (agora de capital maioritariamente chinês) apresentou o Volvo FE Hybrid, destinado sobretudo a operações de distribuição urbana e recolha de lixo, isto é, utilizado em troços de paragens e arranques frequentes.

 

"Estou muito impressionado. Foi a primeira vez que conduzi um camião de 20 toneladas que andou totalmente em silêncio por mais de um quilómetro. É realmente fascinante, nunca tinha experimentado nada parecido", diz Fabian Schmid da revista suíça Strassentransport.

Muitos espinhos pelo caminho

Apesar do desempenho dos novos camiões, uma série de problemas permanece ainda por resolver, sobretudo ao nível das redes de abastecimento de combustíveis alternativos, ainda não implementadas, mas também no aumento da capacidade das baterias dos camiões híbridos.

Por outro lado, a produção de bio-DME, a partir do licor negro, ainda está numa fase experimental e poderá nunca surgir em tão larga escala como o metano, uma vez que depende da capacidade de produção de papel e esta está ligada com o abate de florestas.

"É importante para nós como empresa fazer lobby em nome dos combustíveis alternativos e chegar a soluções que reduzam o impacto dos transportes sobre o clima. Esta é uma questão crucial para o meio ambiente e uma sociedade sustentável ", admite o sueco Lars Mårtensson, ele que responde pelo pelouro do Ambiente.

Recorde-se que a Volvo é uma das maiores produtoras de veículos pesados do mundo, consequentemente co-responsável por boa parte da poluição proveniente dos transportes rodoviários.