Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Atualidade / Arquivo

Cada vez mais adultos procuram catequese (vídeo)

  • 333

Há muitos adultos a frequentar a catequese, movidos pela procura de bem-estar espiritual ou para a realização de sacramentos nunca iniciados ou interrompidos.

Semanalmente, 12 adultos ocupam uma sala da Igreja Paroquial da Marinha Grande para frequentar a catequese, movidos pela procura de bem-estar espiritual ou para a realização de sacramentos nunca iniciados ou, por qualquer razão, interrompidos.

"Desde que eu perdi o meu pai agarrei-me mais um pouco a Deus, custa-me ainda muito, ainda sofro muito com isso, mas sinto-me mais aliviada e quando estou mais perto fico um bocadinho melhor", disse à agência Lusa Suzel Pedrosa, de 35 anos.

À necessidade de aproximação a Deus a jovem soma o desejo de fazer o sacramento da confirmação, habitualmente designado por crisma, que espera concretizar este ano com a frequência na catequese de adultos, experiência que, confessa, está a "gostar muito", depois de uma ligação primeiro estável e, depois, intermitente com a Igreja.

"Costumava vir à missa durante a semana, ao sábado, e quero ver se vou voltar, porque agora, neste momento, estou a sentir mais a necessidade de estar com Deus", acrescentou Suzel Pedrosa.

"Acharam estranho eu vir porque nunca fui ligado à Igreja"

Hugo Alexandre, de 27 anos, não escondeu que foi a vontade de ser batizado e, depois, casar pela Igreja Católica, que o levou à catequese de adultos.

Quando comunicou à família a decisão, o jovem constatou surpresa: "Acharam estranho eu vir porque nunca fui ligado à Igreja", contou.

Na Marinha Grande, a catequese de adultos nasceu em 1999 "porque se sentiu a necessidade de responder à sede de Deus que muitas pessoas manifestavam", quer para começar a caminhada na vida cristã, retomá-la ou completar os sacramentos de iniciação cristã, explicou Fernando Brites, o seu responsável.

"Há gente que não volta, há casos de pessoas que vêm com muita regularidade"

Sobre os resultados da catequese de adultos, Fernando Brites adiantou: "Há gente que não volta, há casos de pessoas que vêm com muita regularidade e outras que passaram a ter uma vida paroquial mais ativa noutras iniciativas, como nos escuteiros ou em ações ação sócio-caritativas".

Com o ano letivo a marcar o tempo, a catequese de adultos na paróquia da Marinha Grande contempla sessões temáticas da doutrina da Igreja, mas também momentos de reflexão ou oração, da responsabilidade de sacerdotes, religiosas ou leigos.

A fé, Jesus Cristo, os sacramentos, a eucaristia ou o matrimónio são alguns dos variados temas apresentados no decurso dos encontros.

Num deles, Guadalupe Rivera, religiosa mexicana das Filhas de Santa Maria de Guadalupe, abordou a unção dos doentes, mas também o sofrimento, a paz de espírito ou a coragem.

"As crianças, muitas vezes, estão por estar e falta-lhes ainda saber aplicar os conhecimentos na sua vida"

Foram duas horas em que na sala, grande, grande também foi a atenção com que o grupo, que chegou com a Bíblia na mão ou na mala, ouviu a freira falar.

À Lusa, Guadalupe Rivera, que também dá catequese a crianças, apontou as diferenças: "As crianças, muitas vezes, estão por estar e falta-lhes ainda saber aplicar os conhecimentos na sua vida (...). Os adultos estão cá por conta própria porque foi uma iniciativa pessoal e sentiram essa necessidade de estar aqui".

Ainda assim, qualquer que seja o motivo, a religiosa crê que "Deus se vale de todos".

Questionada se estas pessoas serão melhores adultos na sociedade por frequentarem a catequese, afiançou: "Não posso dizer que serão os melhores, não posso dizer isso, mas encontrarão uma forma diferente de encarar a vida".

Número de adultos na catequese a aumentar

O número de adultos a frequentar a catequese tem aumentado, disse à agência Lusa o vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã, considerando que o crescimento encontra explicação na realização de sacramentos ou no aprofundamento da fé.

"Aparece gente que já está empenhada em ministérios da Igreja e quer aprofundar - catequistas, ministros da comunhão -, aparece gente que vai por motivos ocasionais -- ser padrinhos - e aparece gente que não está em nada destas coisas, mas quer aprofundar a sua própria fé", afirmou António Marcelino.

Sem números deste crescimento que assenta, também, no sentimento de que, cada vez mais, "a fé tradicional não resiste a um mundo como ao de hoje", o bispo emérito de Aveiro adiantou que a catequese de adultos, disseminada por todas as dioceses, mas não por todas as paróquias, assume duas formas, a sistemática e a ocasional.

"Há mais iniciativas de encontros, de seminários, do que uma catequese sistemática", apontou o responsável, reconhecendo que, "na maior parte das dioceses do Interior, não é possível fazer muito mais que isso".