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Brasil: cai o sexto ministro acusado de corrupção

Desta vez, o ministro suspeito de corrupção  é o responsável pelo Desporto. Orlando Silva nega a acusação, mas a Presidente  brasileira, Dilma Rousseff, decidiu ontem o seu afastamento do Governo.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Em plena fase de preparativos para o Mundial 2014 e na contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de 2016, a notícia do alegado envolvimento do ministro Orlando Silva em fraudes nos convénios celebrados pelo Ministério do Desporto, de que era titular,  e o seu iminente  afastamento caiu como uma bomba no meio desportivo e político brasileiro.

É o sexto ministro de Dilma Rousseff a ser demitido pela Presidente do Brasil. E acontece um mês depois da quinta demissão no seu Governo. Segundo o "Jornal do Brasil", a saída de Orlando Silva "é considerada uma questão de tempo" pelo Palácio do Planalto.

Na dúvida, melhor afastar

A Presidente do Brasil optou pela demissão de Orlando Silva - que nega as acusações - após uma reunião com a coordenação política do Governo realizada ontem à noite, e convocada  após o seu regresso de Angola. 

A decisão de substituir o ministro do Desporto foi tomada após Dilma Rousseff ouvir o ministro da Justiça, José Eduardo, sobre o andamento das investigações por parte da Polícia Federal e do Ministério Público brasileiro.

Orlando Silva - que é membro do PCdoB, um dos vários partidos comunistas brasileiros - é acusado de  desvio de verbas do programa Segundo Tempo, destinado a incentivar jovens em risco a praticar desporto.

Dinheiro entregue na garagem do Ministério em 2008

O ministro é acusado por um polícia militar, João Dias Ferreira, e um seu funcionário, o motorista Célio Soares Pereira - que diz ter provas que incriminam Orlando Silva. Segundo eles, Orlando Silva terá recebido pessoalmente dinheiro desviado - uma caixa de cartão cheia de notas de 100 e 50 reais (moeda local) - na garagem do Ministério, no final de 2008.

O polícia, que é do militante do mesmo partido do ex-ministro - foi uma das cinco pessoas detidas em 2010 pela polícia de Brasília, por suspeita de envolvimento no referido desvio. A investigação, chamada Operação Shaolin, apontava diversos membros do PCdoB como protagonistas dos crimes.

De acordo com a acusação, João Dias Ferreira, por meio das  ONGs brasileiras Associação João Dias de Kung Fu e Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convénios em 2005 e 2006 com o Ministério do Desporto.

Curiosamente, o Ministério do Desporto, de que Orlando Silva era titular, está a exigir  judicialmente a devolução de 3,16 milhões de reais (atualmente, cerca de 1,31 milhões de euros), que seria o montante do dinheiro repassado no âmbito desses convénios, que vão expirar em 2012 e já não será renovados. 

A primeira vez em que surgiu o nome do ministro nesse caso foi numa reportagem publicada pela "Veja" este mês, que aponta Orlando Silva como líder do esquema de corrupção na pasta do Desporto que, segundo a revista brasileira, teria  desviado mais de 40 milhões de reais (algo como 16,5 milhões de euros no câmbio atual) em oito anos.

Orlando Silva, que tomou conhecimento da notícia quando se encontrava em Guadalajara a acompanhar os Jogos Pan-Americanos,  já entrou com um processo na justiça brasileira contra os dois delatores, por calúnia. A ação considera que o militar e o motorista fizeram afirmações "infundadas e desprovidas do mínimo suporte fático e probatório".

"Nós temos de ter muita serenidade nessa hora porque não apareceu nenhuma prova contra o Orlando", afirmou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, momentos antes de particiar da reunião com Dilma, no Palácio da Alvorada. Para já, a Presidente decidiu afastar o ministro do Desporto, mas não pretende tirar o PCdoB do seu Governo.

 

Orlando Silva, que já era ministro de Lula da Silva, era o responsável pelo Mundial e Jogos Olímpicos, que terão lugar no Brasil em 2014 e 2016. E o escândalo acontece numa fase  crítica de negociações com a FIFA e de realização de obras (construção de estádios em todo o país).