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Birmânia negoceia com Coreia do Norte compra de material nuclear

Horas depois do fim da cimeira sobre segurança nuclear em Washington, surgiu a informação de que há mais um regime a procurar desenvolver um programa nuclear. Barack Obama bem avisou que desarmar o mundo é uma tarefa que pode levar muito tempo.

Ricardo Lourenço, correspondente nos EUA

Hoje de manhã, menos de 24 horas depois de 46 chefes de Estado e de Governo terem encerrado a Cimeira de Washington, que analisou a ameaça da proliferação nuclear e a sua relação ao terrorismo internacional, surgiu a notícia de que a Birmânia procura desenvolver um programa atómico.

Há indícios de que a junta militar daquele país pretende comprar tecnologia norte-coreana, um negócio, aparentemente, bem encaminhado "Levou 60 anos para o mundo acumular o arsenal actual. Levará muito mais tempo a livrarmo-nos dele", disse Barack Obama na abertura da cimeira de Washington.

Este novo dado reforça o aviso do Presidente americano.Porquê a Birmânia? De acordo com o "Institute for Science and International Security", um organismo de estudos políticos e de segurança, sedeado em Washington, a ditadura birmanesa terá dinheiro mais do que suficiente (fruto da exploração das riquezas naturais do país, em especial do gás natural) para comprar os segredos nucleares norte-coreanos. Pyongyang, por sua vez, está mergulhada numa crise profunda e necessita com urgência de fundos para continuar com o seu programa militar."

O regime birmanês vive em paranóia, com a ideia de uma invasão americana", explica David Steinberg, director do gabinete de estudos asiáticos da Universidade de Georgetown, em Washington.

O perigo de uma Al-Qaeda Nuclear

 

"Se todos os países conseguirem controlar os seus arsenais nucleares e fechá-los num local tão seguro como Fort Knox (local onde está armazenada grande parte da reserva americana de ouro), então a possibilidade de um 11 de Setembro nuclear ficará reduzida", afirmou Graham Allison, um ex-conselheiro da administração Reagan para assuntos de Defesa, e hoje professor no Kennedy School, em Harvard, onde lecciona matérias relacionadas com segurança interna, terrorismo e proliferação nuclear.

O controlo dos arsenais nucleares, impedindo que caiam nas 'mãos' de organizações terroristas, foi precisamente o objectivo principal da cimeira de Washington. Foi pedido aos países participantes que revelassem os seus planos de eliminação de materiais, como o plutónio e o urânio enriquecido, fulcrais no fabrico de uma bomba nuclear. México, Canadá e Ucrânia aceitaram a proposta.

Os programas nucleares do Irão ou da Coreia do Norte, ou a tensão entre Índia e Paquistão (dois estados com armas nucleares) ficaram de fora da agenda, o que levou os críticos da cimeira a considerar que, verdadeiramente, pouco ou nada se decidiu.

Comunidade internacional reunida em Maio

Na verdade esses assuntos foram lembrados várias vezes ao longo dos dois dias da cimeira. Ainda na segunda-feira, horas antes de começar a reunião, o Governo iraniano (ausente do encontro) revelou que no curto prazo irá começar a desenvolver uma nova geração de centrifugadoras, mais rápidas no enriquecimento de urânio. Nesse mesmo dia, o primeiro-ministro paquistanês, Yousuf Gilani, afirmava que, a bem da segurança do Estado, o Paquistão irá continuar a produzir armas nucleares.

Na terça-feira de manhã, a Coreia do Norte renunciava aos acordos firmados com a administração Bush, tendo em vista o fim do seu programa nuclear. Horas depois, a Rússia alertava que, se o programa de defesa antimíssil americano prosseguir, reserva o direito não respeitar o novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas, assinado há cerca de duas semanas pelos presidentes americano e russo, Barack Obama e Dmitri Medvedev, respectivamente.

Dentro de duas semanas, a comunidade internacional estará reunida na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque (Teerão já confirmou a presença), com a tarefa de rever o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Os trabalhos irão decorrer entre 3 a 28 de Maio.