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Bienal de São Paulo só para maiores de 18 anos

"Em Nome dos Artistas -Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Feamley", a exposição que abre ao público amanhã na Bienal de São Paulo, inclui obras polémicas como Adão e Eva deitados com os genitais à mostra, de Damien Hirst.

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

Uma pintura de Jeff Koons onde o artista norte-americano aparece a fazer sexo oral com Cicciolina; uma vaca e um bezerro cortados ao meio a flutuarem dentro de um tanque conservados em formol, natureza-morta do britânico Damien Hirst: ou peças sobre sexo e sida da fotógrafa Nan Goldin, são algumas das provocatórias obras de arte que integram a exposição que abre ao público amanhã na Bienal de São Paulo.

A explosiva mostra "Em Nome dos Artistas -Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Feamley", já apresentada em Oslo e inaugurada na passada terça-feira para convidados, leva à cidade brasileira de São Paulo 51 artistas, norte-americanos na sua maioria, e 200 obras que ocupam o pavilhão na sua quase totalidade.

Dado reunir obras controversas como a série "Made in Heaven" - que retrata várias posições sexuais do escultor Jeff Koons com a sua então mulher Cicciolina (ex-atriz de cinema porno) -, a instalação "Adam & Eve Exposed", com genitais à mostra,  um autorretrato da fotógrafa Cindy Sherman como a Virgem lactante, e muitas outras obras com conotação sexual (também presentes no trabalho de Paul Chan, Matthew Ronay e Richard Prince), a imprensa brasileira já comentou que a exposição "tem uma série de obras proibidas para menores de 18 anos".

"Em Nome dos Artistas -Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Feamley" celebra os 60 anos da Bienal paulista. Será uma espécie de "aquecimento" para a 30ª edição da Bienal Internacional (que já tem sido alvo de polémicas em edições anteriores.), que só acontece em 2012.

Artistas excêntricos, obras controversas

Todas as obras que compõem a mostra fazem parte do acervo de 1500 peças do empresário e colecionador de arte norueguês Hans Rasmus Astrup, que em 1993 criou o Astrup Fearneley Museum of Modern Art de Oslo para expor a sua coleção particular, avaliada em 1,5 mil milhões de dólares.

De acordo com o curador Gunnar Kvaran, diretor do museu norueguês, muitos dos artistas nunca tiveram as suas peças expostas no Brasil.

Até 4 de dezembro, quem visitar a Bienal de São Paulo poderá conhecer também os trabalhos, entre outros, da fotógrafa Cindy Sherman, as instalações de Doug Aitken ou as peças de Richard Prince, o artista que reinventa o cowboy da Marlboro.

Uma das obras mais controversas é a "Mother and Child Divided", uma vaca e um bezerro cortados ao meio e expostos dentro de vitrinas com formol, do britânico Damien Hirst, que levou ao brasil uma outra peça polémica, a caveira "Fate of Man".

Com a instalação "Adam & Eve Exposed", em que se veem apenas os genitais de dois corpos aparentemente reais, Hirst faz referência aos causadores do pecado original.

Matthew Barney, marido da cantora Bjork, está também presente na exposição com a sua famosa série "Cremaster". E Nan Goldin apresenta fotos "cruas e duras" que retratam o sexo e a sida.

Provocação à solta

De Jeff Koons, estão presentes, também, peças como a escultura em aço inoxidável de Piu Piu, personagem de banda desenhada, entre muitas outras desse escultor que coloca lado a lado a arte e o kitsch, e abusa dos símbolos pop no cinema e na televisão para discutir o consumismo nos EUA.

Outro artista provocatório, entre tantos, é o chinês Terence Koh (famoso pelas suas obras feitas com esperma e fezes do próprio banhadas a ouro),  radicado em Nova Iorque, que para São Paulo não levou nenhuma peça escatológica mas sim animais cobertos com ouro e purpurina. Foi Koh quem, no ano passado, cobriu o rosto de Lady Gaga com 88 pérolas para a festa de gala de uma ONG norte-americana que arrecada fundos para pesquisas contra a sida.

O Pavilhão Ciccilio Matarazzo, também conhecido como Pavilhão da Bienal Internacional de São Paulo, palco da "Em Nome dos Artistas -Arte Contemporânea Norte-Americana na Coleção Astrup Feamley", fica no parque do Ibirapuera e foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer.