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Bélgica: com rei mas sem Governo há 249 dias

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Bélgica cumpre hoje 249 dias sem conseguir formar Governo, batendo um recorde mundial que até agora pertencia ao Iraque. Para registar o facto, estudantes realizam protesto "Revolução das Batatas Fritas".

Maria Luiza Rolim (www.expresso.pt)

A Bélgica permanece sem Governo há 249 dias. É um recorde mundial, que antes pertencia ao Iraque. Curiosamente, enquanto prossegue a busca por uma alternativa governativa, o país continua a funcionar normalmente devido à organização ímpar do estado belga.

Entretanto, 30 organizações de estudantes belgas convocaram uma manifestação para esta quinta-feira, dia em que a Bélgica completa 249 dias sem Governo, como protesto contra a situação política do país.

Governo de gestão

O país está a ser governado por um Executivo provisório desde 26 de abril do ano passado, quando o rei Alberto aceitou a renúncia do primeiro-ministro Yves Leterme. Nas eleições legislativas realizadas após a renúncia de Yves Leterme, nenhuma formação conseguiu maioria suficiente para governar sozinha e, desde aquele momento, os partidos políticos não foram capazes de alcançar um acordo para a formação de um Executivo.

A Bélgica está sem Governo há 249 dias devido à falta de entendimento entre os partidos flamengos e francófonos para a formação de uma coligação e a mediação está a cargo do liberal francófono Didier Reynders. O ministro das Finanças em funções recebeu a 2 de fevereiro a missão do rei de encontrar uma solução para a situação, na sequência da demissão do último mediador, o senador socialista flamengo Johan Van de Lanotte.  

O diferendo centra-se em assuntos como a definição do distrito eleitoral da capital e periferia (Bruxelas-Halle-Vilvoorde), o financiamento de Bruxelas, a transferência de competências para as entidades federadas e respetivo financiamento.    

"Revolução das Batatas Fritas"

Para manifestar descontentamento face à situação política, cerca de três dezenas de associações estudantis organizam hoje vários atos de protesto nas principais cidades belgas.  A manifestação foi apelidada de "Revolução das Batatas Fritas", pelo facto de estas serem um ícone do país.

A "manif" visa expressar a impaciência e preocupação dos cidadãos belgas face a uma crise política que se arrasta há mais de oito meses.

O rei dos belgas, Alberto II, prolongou na quarta-feira o mandato de Didier Reynders até 1 de março para permitir aprofundar os principais pontos de discussão entre os partidos flamengos e francófonos, temas em que será necessário voltar a partir do zero para vislumbrar alguma solução.