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Bastonário garante que 90% dos doentes tomam genéricos

Bastonário da Ordem dos Médicos diz que, em 2011, 8 em cada 10 doentes aderiram aos genéricos e só em 4% dos casos os médicos recusaram a sua prescrição.

Isabel Paulo (www.expresso.pt)

José Manuel Silva afirmou, hoje, que a esmagadora maioria dos médicos é favorável à prescrição de genéricos, apenas não aceitando, "por ser prejudicial aos doentes", uma substituição de genéricos entre si por "interesses comerciais do circuito do medicamento".

O bastonário da Ordem dos Médicos afiança ainda que concorda com as propostas da troika na área do medicamento, garantindo que se as propostas da Ordem tivessem sido aceites em fevereiro o "Estado e os protugueses teriam poupado milhões de euros".

Em consonância com a troika, José Manuel Silva refere que a Ordem dos Médicos defende que todos os genéricos com o mesmo princípio ativo e a mesma dosagem sejam marcados pelo preço mais baixo e o preço reduzido em 10%, proposta que irá ser apresentada ao ministro da Saúde na próxima semana.

5% dos doentes resistem a genéricos  

Segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), divulgado hoje pelo bastonário da Ordem dos Médicos, oito em cada dez doentes tomaram genéricos no primeiro semestre do ano, adesão que contraria a ideia de que "os médicos se recusam a receitar medicamentos genéricos".

O estudo da ENSP concluiu também que, em Portugal, 85% dos doentes consumiram genéricos em 2011 e que outros 5% já os terão tomado anteriormente, o que significa que 90% da população pela menos uma vez já aderiu as genéricos.

Os dados divulgados hoje indicam ainda que, dos 10% dos pacientes a quem não foi prescrito um genérico, 48,9% revelam reservas pessoais quanto à substituição de medicamentos, enquanto apenas 43,6% afiançam que foram os médicos que não aceitaram passá-los.  

Para José Manuel Silva, esta é a prova de que os médicos portugueses "aderiram massivamente aos genéricos", já que "apenas 4% se recusou prescrevê-los".

Ordem contra genéricos sem prescrição médica  

Mas mesmo nestes casos, o bastonário ressalva que é preciso apurar "as justificações científicas porque não o fizeram". Entre outros motivos, José Manuel Silva refere a existência dos medicamentos de margem terapêutica estreita - "que não devem ser substituídos" -, bem como os casos de más experiências de alguns doentes com genéricos.

"Os medicamentos originais e os genéricos são bioequivalentes mas nem sempre há garantias de igualdade de efeitos", sustenta o bastonário.

A diferença pouco significativa entre o preço de alguns medicamentos originais e o seu genérico é outra das possíveis explicação para a resistência, sobretudo em marcas tradicionalmente preferidas e exigidas pelos doentes, como o Ben-U-Ron, Voltaren, Brufen ou Lexotan.        

O bastonário alertou ainda que a Ordem dos Médicos irá contestar a substituição de medicamentos nas farmácias, caso o Governo venha a permitir a troca sem o consentimento do médico.