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Balsemão defende limpeza nos serviços secretos

O presidente do grupo Impresa defendeu, em entrevista à Rádio Renascença, que nos serviços secretos reina a "miséria moral" e que não haveria melhor ocasião como agora para estes serem eliminados.

Liliana Coelho (www.expresso.pt)

"Os serviços secretos são uma atividade necessária dentro de determinadas balizas, mas pelos vistos Portugal tem uns serviços secretos num estado de desorganização e, pior que isso, num estado de miséria moral, que muito preocupa", afirmou Francisco Balsemão, em entrevista à Rádio Renascença, que vai para o ar hoje à noite. Segundo o patrão do grupo Impresa, é vital haver uma limpeza neste organismo, que opera erradamente a favor dos interesses privados. "Acho que é inacreditável quase 40 anos depois do 25 de abril se tenha chegado a este estado de coisas. Não é possível que haja serviços secretos que funcionem para municiar eventualmente interesses privados", disse Balsemão, sublinhando que é indispensável  haver uma "imediata limpeza e um esclarecimento sobre tudo o que lá passa".

Caso na Justiça

"Eu penso que os serviços secretos continuam a ser necessários, mas se fossem pura e simplesmente eliminados não haveria melhor ocasião do que esta", acrescentou. Relativamente ao relatório das secretas que inclui pormenores da sua vida, Francisco Pinto Basemão reiterou que irá avançar para a Justiça. "Não estou apenas a pensar no meu caso que é um caso que me choca, surpreende e revolta, mas em relação a ele tomarei as medidas que penso que sejam fundamentais, que devo tomar (..) ou seja proceder criminalmente e exigir uma indemnização, que será depois dada a uma instituição de solidariedade social", disse Balsemão.  "Sobre isto não desistirei, como não desisti  noutras ocasiões", garantiu.

Promiscuidade e impunidade

Francisco Pinto Balsemão acusou ainda esta situação de ser fruto de uma promiscuidade entre o poder económico e o político e à impunidade no país.  "Deve-se a uma promiscuidade perigosa e completamente indesejável entre o poder económico e o poder político, a uma falta de controlo por parte de quem constitucionalmente teria a obrigação de controlar mesmo e  também a este sentido geral de impunidade que infelizmente continua a existir em Portugal", declarou o antigo primeiro-ministro. Questionado sobre o envolvimento de Miguel Relvas no caso, Francisco Pinto Balsemão disse que o assunto terá que ser esclarecido entre o primeiro-ministro e o ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares. "É um assunto que acho que tem ser esclarecido entre o primeiro-ministro e o ministro Relvas(...) depois poderei pronunciar-me  (...) Esta situação que foi criada a um membro do Governo deve ser incomóda para ele, é incomoda com certeza para o primeiro-ministro e também para todos nós", concluiu.