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Automóveis a diesel vencem híbridos

Estudo do Instituto Superior Técnico conclui que carros a gasóleo são mais 'verdes' no consumo e nas emissões. (Veja infografia animada no fim do texto)

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

HONDA CIVIC HYBRID. É o melhor classificado na categoria Classe Média do Top Ten da QuercusPreço: 21.920 euros (Comfort) e 26.780 euros (Executive)Comparação: BMW 318d, 320d e 318i m6; Mazda 6SW 1.8 e 2.0; Volvo S40 1.6D e VW Passat 1.9 TDI DPFConsumo: 4,6 litros por 100 kmEmissões de CO2: 109 g/km

HONDA CIVIC HYBRID. É o melhor classificado na categoria Classe Média do Top Ten da QuercusPreço: 21.920 euros (Comfort) e 26.780 euros (Executive)Comparação: BMW 318d, 320d e 318i m6; Mazda 6SW 1.8 e 2.0; Volvo S40 1.6D e VW Passat 1.9 TDI DPFConsumo: 4,6 litros por 100 kmEmissões de CO2: 109 g/km

É uma autêntica surpresa, mas os números não enganam: em termos globais, os carros a diesel consomem menos energia e têm menos emissões de dióxido de carbono (CO2) que os híbridos (gasolina/motor eléctrico). E os híbridos estão apenas ligeiramente abaixo dos carros a gasolina nos dois indicadores. A conclusão consta de um estudo do Departamento de Transportes, Energia e Ambiente do Instituto Superior Técnico (IST) sobre a avaliação energética e ambiental de veículos ligeiros em ciclo de vida total. Este ciclo inclui o fabrico, desmantelamento e reciclagem do automóvel; o consumo de energia na produção e distribuição do combustível desde o poço de petróleo até ao depósito; e o consumo de energia entre o depósito do automóvel, o motor e as rodas. Tiago Farias, coordenador deste departamento único no país, que investiga em simultâneo a energia e o ambiente nos transportes portugueses, desmistifica de certo modo as conclusões inéditas do estudo: "O conceito de híbrido é excelente, porque a alteração do fluxo energético é a primeira revolução no automóvel em 100 anos, mas temos de reconhecer que o resultado prático actual não é brilhante".

A bateria que alimenta o motor eléctrico do híbrido é carregada quase sempre quando este circula no modo a gasolina. A excepção dá-se quando o sistema de recuperação de energia das travagens funciona, "mas a sua contribuição é muito modesta".

TOYOTA PRIUS 1.5 HYBRID. É o melhor classificado na categoria Compactos do Top Ten da Quercus, produzido para o site da EDPPreço: 26.830 euros (29.704 euros na versão High Pack)Comparação: Ford Focus 1.6, Audi 3 1.9, VW Golf 1.9, Mazda 3 1.6, Honda Civic 1.4i, Seat Leon 1.9, Mercedes A160, Hyundai i30 1.6 e BMW 118dConsumo: 4,3 litros por 100 km Emissões de CO2 104 g/km

TOYOTA PRIUS 1.5 HYBRID. É o melhor classificado na categoria Compactos do Top Ten da Quercus, produzido para o site da EDPPreço: 26.830 euros (29.704 euros na versão High Pack)Comparação: Ford Focus 1.6, Audi 3 1.9, VW Golf 1.9, Mazda 3 1.6, Honda Civic 1.4i, Seat Leon 1.9, Mercedes A160, Hyundai i30 1.6 e BMW 118dConsumo: 4,3 litros por 100 km Emissões de CO2 104 g/km

Em todo o caso, "o híbrido é um grande passo, é uma etapa de transição necessária para chegarmos ao carro eléctrico, ao chamado "plug-in"" (com tomada eléctrica para carregamento da bateria). Tiago Farias sublinha também que "a tecnologia híbrida está ainda numa fase de demonstração e só deixará esta fase quando o consumidor entrar num concessionário e puder escolher, em qualquer marca e modelo de automóvel comum, entre as opções gasolina, diesel ou híbrido, tal como hoje já acontece na Suécia com os carros a etanol". A verdade é que, na cabeça da maioria dos automobilistas portugueses, havia a ideia de que os híbridos seriam a alternativa mais limpa e menos 'energívora' num planeta a braços com o aquecimento global e o desafio energético. Mas a realidade parece mais complexa.

Francisco Ferreira tem dúvidas em relação às conclusões do estudo do IST, argumentando que "as estimativas mais conhecidas quanto ao consumo de combustível dizem que os híbridos têm uma vantagem de 20% em relação aos carros a gasolina e andam a par nos carros a diesel". Em todo o caso, o dirigente da Quercus salienta que os números do IST "reforçam uma ideia consensual: os híbridos a diesel vão ter uma clara vantagem em relação aos modelos convencionais, quando forem lançados no mercado em 2010". O líder ambientalista reconhece que "nos últimos anos todos os modelos convencionais têm reduzido as emissões de CO2 e mesmo o consumo de combustível". Mas recorda que as contas feitas pela Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) sobre o ciclo de vida dos automóveis híbridos concluem que, "ao fim de três anos de utilização, a uma média de 15 mil km percorridos por ano, o volume de emissões evitadas equivale a 40 mil km, comparando com um modelo convencional".

LEXUS GS 450h (hybridmotor). É o pior classificado na categoria Classe Média Superior do Top Ten da QuercusPreço: 68.876 euros (82.066 euros na versão High)Comparação: BMW 520d, 520i, 523i, 525i, 530i e 535d; e Volvo V70 D5, V70 2.0 D e S80 D5Consumo: 7,9 litros por 100 kmEmissões de CO2: 185 g/km

LEXUS GS 450h (hybridmotor). É o pior classificado na categoria Classe Média Superior do Top Ten da QuercusPreço: 68.876 euros (82.066 euros na versão High)Comparação: BMW 520d, 520i, 523i, 525i, 530i e 535d; e Volvo V70 D5, V70 2.0 D e S80 D5Consumo: 7,9 litros por 100 kmEmissões de CO2: 185 g/km

O estudo do IST analisou seis ciclos de velocidade mas destacou nas suas conclusões o ciclo Cascais-Lisboa. Ao todo, foram comparados os ciclos de vida total de automóveis de passageiros convencionais a diesel e a gasolina com híbridos, eléctricos e a hidrogénio, e ainda com automóveis convencionais flexifuel (a gasolina e etanol, ou a gasóleo e biodiesel). No conjunto, são 32 situações diferentes, que abrangem até carros que não estão à venda no mercado português (os que usam etanol) e outros que, mesmo no mercado mundial, só existem em pequenas séries (os eléctricos) ou em protótipo (os que consomem hidrogénio). Escolhemos as seis situações mais importantes, onde o vencedor no consumo de energia e nas emissões de CO2 é, sem dúvida, o carro eléctrico. Nos carros do futuro, a alternativa a hidrogénio tem duas situações com um impacto muito diferente: o hidrogénio produzido através do gás natural, mais amigo do ambiente, e o obtido por electrólise (decomposição da água), que é, para já, um verdadeiro desastre ambiental.

A alternativa ao petróleo

DIÓXIDO DE CARBONO

Crise não reduz emissões

Apesar do consumo de gasolina em Portugal ter caído 6,4% e o de gasóleo ter subido apenas 0,9% entre Janeiro e Julho, o total de emissões de dióxido carbono (CO2) dos combustíveis rodoviários reduziu-se apenas em cerca de 0,93%, "o que significa que o impacto da crise nas emissões é irrelevante", afirma Francisco Ferreira ao Expresso.

O dirigente da Quercus fez as contas mas este resultado, que pode parecer surpreendente, deve-se a duas razões: "O gasóleo tem um peso em toneladas três vezes superior à gasolina consumida no nosso país e, por outro lado, emite mais CO2 por litro".

Esta constatação vem, de certo modo, reforçar o alerta dado pelo Parlamento Europeu (PE), que numa resolução aprovada na semana passada avisava que os objectivos da UE em matéria de clima para depois de 2012, quando terminar o Protocolo de Quioto, "não devem ser postos em causa pela actual crise financeira internacional". O PE instava ainda a UE a manter "as metas ambiciosas de 20% de energias renováveis no consumo final dos Estados-membros e de 10% de fontes renováveis no sector dos transportes até 2020".

Se na área financeira a crise é evidente, nos combustíveis o contexto internacional tem mudado rapidamente. Os preços do petróleo já rodam os 60 dólares, quando em Julho ultrapassavam os 140, e os preços da gasolina e gasóleo em Portugal baixaram mais uma vez (3 e 2 cêntimos, respectivamente, na Galp).

Quanto ao CO2, é de recordar que a Associação de Construtores Europeus de Automóveis se comprometeu a baixar as emissões no consumo dos motores para 140 g/km em 2008 (menos 25% que em 1995), e quer atingir os 120 g/km em 2012.

  • Distância percorrida: 33,4 km
  • Percurso: do centro de Cascais ao centro de Lisboa (IST, junto à Alameda Afonso Henriques), passando pela A5
  • Tempo: 50 minutos e 22 segundos
  • Velocidade máxima: 119 km/h
  • Velocidade média: 40 km/h
  • Tempo ao "ralenti": 8 minutos e 32 segundos
  • Número de paragens: 25
  • Foram usados simuladores para os consumos de energia e para as emissões de CO2 de cada tipo de veículo...
  • ... e a mesma unidade de medida em todos os consumos

120gramas de emissões de CO2 por km é o objectivo da Associação de Construtores Europeus de Automóveis para 2012

140g/km é o compromisso dessa associação para 2008

5,75%de biocombustíveis incorporados nos combustíveis fósseis consumidos nos Vinte e Sete é a meta da UE para 2010

Texto publicado na edição do Expresso de 1 de Novembro de 2008