Expresso

Siga-nos

Perfil

Perfil

Atualidade / Arquivo

Aumentos dos combustíveis são "escandalosos", diz a ANAREC

  • 333

BP e GALP justificaram a subida com situações de ordem geopolítica como a intervenção armada de Israel na Faixa de Gaza e a disputa entre a Gazprom e a Ucrânia, bem como a desvalorização do euro. A CEPSA remeteu para mais tarde uma justificação.

O presidente da Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis considerou "absolutamente ridículos" os aumentos de preço aplicados esta semana pela GALP e BP e "escandalosos" os da CEPSA, que hoje subiu o preço do gasóleo em 5,9 cêntimos.

"O aumento de preço da GALP e da BP é absolutamente ridículo. Não tem justificação nenhuma", disse hoje à Lusa Augusto Cymbron, presidente da ANAREC.

"As petrolíferas justificam [o aumento de preços] também com a invasão da Faixa de Gaza por Israel e que por isso o barril [de petróleo] chegou a atingir os 50 dólares, mas ontem [terça-feira] atingiu um mínimo de 41 dólares", recordou o dirigente.

"Os aumentos da Cepsa além de ridículos são escandalosos, porque pelas contas que faço daria no máximo um aumento de três cêntimos. As outras companhias subiram dois e eles subiram quase seis", sublinhou.

A gasolineira CEPSA aumentou às 00h00 de hoje o preço do litro de gasóleo em 5,9 cêntimos e o do litro de gasolina sem chumbo 95 em 5,7 cêntimos, disse à Lusa fonte ligada à petrolífera.

De acordo com a mesma fonte, o preço de referência da CEPSA para o litro de gasóleo esta semana é de €0,998 e para o litro de gasolina sem chumbo é de €1,125.

A petrolífera remeteu para mais tarde uma justificação pelo aumento dos preços.

No passado fim-de-semana, a GALP aumentou os preços da gasolina e do gasóleo em dois cêntimos, justificando os aumentos com um "pico de subida" dos combustíveis nos mercados internacionais na semana passada e com a desvalorização do euro face ao dólar.

A BP deverá fazer um aumento semelhante. "Para já provavelmente à volta de dois cêntimos, depois se verá", disse um porta-voz da empresa na segunda-feira.

Tanto a BP como a GALP justificaram a subida com razões que se verificaram na semana passada: situações de ordem geopolítica como a intervenção armada de Israel na Faixa de Gaza e a disputa entre a Gazprom e a Ucrânia [com a empresa russa a cortar o fornecimento de gás natural a vários países europeus], bem como a desvalorização do euro.

As duas empresas dizem que estes factores resultaram numa subida muito acentuada dos produtos refinados.

Augusto Cymbron considerou que as companhias "sobem muito mais rápido os preços do que descem" e reiterou a sua discordância quanto à liberalização do mercado de combustíveis.

"A liberalização é uma fantochada. Serviu só para as companhias, unilateralmente, subirem os preços dos combustíveis. Nunca houve descidas capazes e de ajuda ao consumidor, tem havido - isso sim - benefício das companhias petrolíferas, que deliberadamente sobem os preços", sublinhou.

Para Augusto Cymbron, a gasolina e o gasóleo constituem "uma fonte de energia essencial para todos os portugueses", pelo que defende que "deve ser o Estado a intervir, como faz na electricidade".

Quanto ao papel da Autoridade da Concorrência na regulação do mercado, o dirigente da ANAREC disse apenas que "Março deveria chegar rapidamente, para que a Autoridade pusesse cá fora o estudo definitivo que diz ter para apresentar", sobre o mercado de combustíveis.

"A questão é que parece que toda a gente está com medo de alguém. Isso é que é o mal", concluiu.