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Arguido preso por coacção a testemunhas

O alegado líder do gang de Valbom, Hélder Bianchi, foi hoje preso pela Polícia Judiciária (PJ) por ameaças a testemunhas. Uma situação inédita em Portugal, apurou o Expresso.

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

O alegado líder do gang de Valbom, Hélder Bianchi, foi hoje preso pela Polícia Judiciária (PJ) por ameaças a testemunhas, segundo decidiu a juíza que preside ao seu julgamento no Porto, situação inédita em Portugal, apurou o Expresso.

O arguido foi detido numa aparatosa operação da PJ do Porto, na posse de cinco mil euros em notas, dinheiro que as autoridades suspeitamser destinado eventualmente a "pagar" o silêncio de testemunhas importantes do seu julgamento.

Hélder Filipe da Rocha Bianchi Ribeiro, de 32 anos, encontrava-se em liberdade provisória, desde Dezembro de 2009, aquando da instrução do processo do principal grupo suspeito de assaltos a ourives e roubos por "carjacking" na região Norte.

Inspector da PJ baleado

Uma das principais acusações contra o gang de Valbom é o assalto frustrado contra um inspector da PJ, que foi baleado quando chegava a sua casa, na Maia, acompanhado por dois filhos menores. O inspector, Carlos Castro, reconheceu um dos suspeitos do crime cometido em 16 de Abril de 2008.

O julgamento no Tribunal de São João Novo tem decorrido com uma série de incidentes processuais, relacionados com testemunhas que desmaiam na sala de audiências e outras com "lapsos de memória", levando a que uma se tivesse recusado a depor e fosse mandada deter pela juíza-presidente, Maria José Matos, na audiência de 7 de Abril, um facto noticiado pelo Expresso.

Dos 16 arguidos, metade encontram-se em prisão preventiva, mas dois dos arguidos em liberdade foram revistados logo na primeira audiência porque teriam fotografado com os seus telemóveis os próprios magistrados daquele julgamento, originando o reforço de policiamento da PSP, fardado e à civil.

O Expresso tentou contactar o defensor de Hélder Bianchi, o advogado Nélson Sousa, também conhecido por defender Fernando Madureira ("Macaco"), mas aquele causídico estava indisponível. Mas apuramos que nos mandados de detenção, a juíza-presidente, Maria José Matos, justificava a prisão preventiva com fortes suspeitas do crime de coacção a testemunhas, que se terá verificado desde as primeiras audiências do principal julgamento de banditismo a decorrer na região Norte.

Testemunha também presa

A detenção de Hélder Bianchi segue-se à de uma testemunha, Marisa Sofia Gomes dos Santos, que a 7 de Abril disse à juíza-presidente: "eu peço-lhe imensa desculpa porque não vou responder a nenhuma pergunta!". Após advertir a testemunha, que persistiu na recusa, a magistrada mandou deter aquela testemunha, que está sujeita a uma pena de prisão até cinco anos.

Os três juízes e a procuradora da República pretendiam então saber como ocorreram os crimes descritos na acusação do Ministério Público. Hélder Bianchi, no entanto, não é suspeito destes últimos factos. Estavam em causa dois outros arguidos, ambos em prisão preventiva, Fábio Manuel Pinto Peixoto da Silva ("Fábio Gordo do Cerco") e José Daniel Lopes Semedo ("Ni").

Ambos terão disparado com armas de fogo, em 30 de Setembro de 2008, contra Marisa dos Santos, alegadamente na presença dos dois filhos menores da vítima, de quatro e seis anos de idade, no Bairro do Cerco do Porto, em Campanhã.

Na origem das desavenças estaria a questão de uma moto entre estes dois arguidos e um outro jovem daquela zona do Porto, Marco António Vieira Gonçalves, o namorado de Marisa dos Santos.