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António Costa não afasta candidatura à liderança do PS

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O presidente da Câmara de Lisboa diz que "nunca se verificaram as circunstâncias" para se candidatar a secretário-geral do PS, mas admite ter "algumas qualidades" úteis para a função.

Concentrado na vida autárquica, António Costa admite que houve alturas em que quis ser secretário-geral do PS e que tem mesmo "algumas qualidades" úteis para a função, mas lembra que este não é o momento para colocar a questão.

Cinco anos depois de ter tomado posse como presidente da Câmara de Lisboa, a 1 de agosto de 2007, o ex-ministro da Administração Interna diz, em entrevista à agência Lusa, que governar um município "tem de implicar um grande gosto" e disponibilidade permanente, envolvendo um grau de exigência "muito superior a ser membro do Governo".

Há alguns anos não se imaginava à frente da autarquia da capital, mas, de qualquer forma, entende que não se escolhe o que se quer fazer na política: "Já vi gente tão infeliz com imensos sonhos de vida que não realizaram e o que tenho visto é que a vida política é menos aquilo que nós queremos que seja, mas aquilo que em cada momento uma pessoa pode ser em função da utilidade que tem".

Sobre a possibilidade de ser secretário-geral socialista, como defenderam já várias figuras do partido, António Costa considera que "nunca se verificaram as circunstâncias" para assumir o cargo.

Questão não se coloca agora

"Houve alturas em que eu queria e não podia ser, houve alturas em que eu queria e havia pessoas mais bem colocadas, houve alturas em que não queria.

Essas perguntas não se fazem em abstrato, fazem-se no momento certo, quando as oportunidades existem.

Neste momento é um problema que não se coloca, o PS tem um líder. Se um dia estiver em discussão, poder-me-á fazer a pergunta e logo verei que resposta estarei em condições de dar", afirma.

Por isso, e apesar de assumir que poderá voltar a candidatar-se nas autárquicas de 2013, a hipótese não está excluída.

"Se me perguntar se eu posso ser guarda-redes do Benfica, digo-lhe claramente não posso ser guarda-redes. Ser secretário-geral do PS é diferente. Acho que tenho algumas qualidades que poderia mobilizar a favor dessa função. É uma pergunta que se pode fazer em abstrato, não se pode é responder em abstrato", sustenta.

Centrado no trabalho autárquico

Por estar "muito concentrado no trabalho autárquico", António Costa refere que não tem acompanhado o desempenho do PS com a atenção necessária para "fazer uma avaliação muito justa do trabalho de oposição que o partido tem ou não feito na Assembleia da República", pelo que prefere não fazer comentários à prestação dos socialistas.

Os contactos com o grupo parlamentar têm sido, aliás, "muito poucos".

No entanto, e embora não seja habitualmente visto em público com António José Seguro como com o anterior secretário-geral, José Sócrates, assegura que a sua relação com o partido é, como sempre foi, muito normal: "Não tenho estados de alma com o PS, nem creio que o PS tenha estados de alma comigo".