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Álvaro Sobrinho: MP investiga transferência bancária suspeita de 3,3 milhões de euros

O DCIAP está a investigar uma transferência bancária suspeita de 4,5 milhões de dólares (3,3 milhões de euros) para Angola, do presidente do BES Angola, Álvaro Sobrinho.

Joaquim Gomes (www.expresso.pt)

Álvaro Sobrinho saiu ontem à noite do Tribunal Central de Instrução Criminal, com uma caução de meio milhão de euros e a proibição de contactar os três outros arguidos do mesmo processo, mas os seus dois advogados, Artur Marques e Paula Godinho, vão recorrer das medidas de coação para o Tribunal da Relação de Lisboa.

Segundo o Expresso apurou, o objecto da investigação do Ministério Público, tem a ver com o alegado caso de branqueamento de capitais relacionado com uma transferência de 4,5 milhões de dólares (3,3 milhões de euros) efectuada por Álvaro Sobrinho, presidente do BES Angola, para a conta de um empresário português, Pinto de Mascarenhas.

A transferência teria sido realizada depois do mesmo empresário português ter depositado cerca de três milhões de euros numa outra conta bancária titulada por Álvaro Sobrinho.

Para além de Álvaro Sobrinho, são ainda suspeitos o referido empresário português para quem foram transferidos os 4,5 milhões de dólares (3,3 milhões de euros) e dois jovens angolanos.

Os quatro arguidos são suspeitos de um alegado crime de branqueamento de capitais, previsto e punido em Portugal com uma moldura penal de dois a doze anos de prisão.

Em junho deste ano, Álvaro Sobrinho foi alvo de uma busca domiciliária realizada pela Polícia Judiciária na sua moradia, nos arredores de Lisboa, tendo-lhe sido apreendidos cerca de 200 mil euros em numerário, um automóvel e uma moto.

Fraude de 137 milhões de dólares

Na origem do inquérito do Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) do Ministério Público, está uma participação da República de Angola ao Estado Português, dando conta de uma alegada fraude, com falsificação de documentos, no montante de 137 milhões de dólares (100 milhões de euros), verba alegadamente disseminada por vários países europeus, entre os quais Portugal e Alemanha, Áustria e Suíça, mas também China, Dubai, e Ilhas Caimão.

A fraude teria lesado o Banco Nacional de Angola em pelo menos cerca de 137 milhões de euros (100 milhões de euros), entre setembro e novembro de 2009, mas na ocasião em Angola o banqueiro Álvaro Sobrinho não chegou a ser alvo de qualquer processo criminal.

As autoridades judiciais angolanas suspeitam de que os 4,5 milhões de euros façam parte de um total de 137 milhões de dólares da alegada fraude, um processo à parte que já se encontrará a ser julgado em Angola. Neste caso, Álvaro Sobrinho nunca respondeu, nem como arguido nem sequer como testemunha, segundo as mesmas fontes judiciais.