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Alberto João Jardim envolve-se numa altercação com jornalista

Presidente do Governo Regional da Madeira envolveu-se numa discussão com uma jornalista do "Diário de Notícias da Madeira". Incidente retoma questões sobre a liberdade de imprensa na ilha.

Tiago Oliveira (www.expresso.pt)

Novo episódio com elementos da comunicação social na Madeira. Uma jornalista do "Diário de Notícias da Madeira", Marta Caires, acusa Alberto João Jardim de a ter mandado sair da sacristia da igreja de Nossa Senhora do Monte, no passado dia 15, onde a repórter se encontrava em funções, devido ao facto de representar o jornal em questão, há muito conotado como opositor do presidente do Governo Regional da ilha.



Em declarações ao Expresso, Marta Caires relata o episódio que afirma ter acontecido na presença de outros jornalistas e de muitas das mais altas autoridades políticas e religiosas madeirenses.



"Eu tinha ido ao monte para cobrir as festas de Nossa Senhora. Quando entro na sacristia da igreja, juntamente com os outros jornalistas, o presidente do Governo Regional nem me deixou começar a falar", relata. "A senhora a mim não me faz perguntas e já devia saber disso", afirmou de pronto Alberto João Jardim, de acordo com Marta Caires.

Dedo em riste

"Depois, começou a apontar para mim, de dedo em riste, e a tecer considerações, aos berros, sobre os comunistas que mandam no 'Diário de Notícias da Madeira'", recorda a jornalista ao expresso. "Disse para eu ir fazer queixas aos meus colegas de jornal. Ironicamente, eu respondi-lhe que estava a tremer de medo".

Então, o Presidente do Governo Regional da Madeira terá alegadamente tentado expulsar a jornalista do local, ameaçando chamar a polícia. Contudo, Marta Caires diz ter recusado sair da sacristia, afirmando a Alberto João Jardim que a igreja não era pertença do Governo e, como tal, não tinha que obedecer ao repto.



Perante a recusa da jornalista em abandonar o espaço, Alberto João Jardim terá continuado a falar acaloradamente para Marta Caires. "Disse o que queria perante o silêncio de toda a gente. Que eu não lhe falava naquele tom. Chamou-me malcriada e acusou-me igualmente de ser revolucionária, ao que eu respondi: 'Graças a Deus'."

Alegada ameaça de despedimento

Pouco depois do fim da altercação, a jornalista abandonou o local, após insistência de alguns colegas que se encontravam também a cobrir as festas de nossa Senhora do Monte, um acontecimento local de grande tradição.

De acordo com a repórter do "Diário de Notícias da Madeira", o impacto pelo episódio foi ainda maior porque esta não terá sido a primeira vez que o Presidente do Governo Regional a ameaçou. "Devido a uma notícia que escrevi em 2004, Alberto João Jardim disse que me despedia do 'Diário de Notícias da Madeira'".



O Expresso tentou obter uma reação de Alberto João Jardim relativamente a este caso, mas o secretário pessoal do presidente do Governo Regional da ilha afirmou não haver qualquer interesse em comentá-lo.