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Alberto da Ponte não se sente um gestor "a prazo"

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Novo presidente da RTP prometeu manter o "diálogo"  com os trabalhadores, mas escusou-se a revelar os cenários para a privatização ou concessão da empresa.

O presidente do novo conselho de administração da RTP escusou-se hoje a revelar aos trabalhadores os cenários para a privatização ou concessão da empresa com que irá trabalhar, e garantiu não se sentir um gestor "a prazo".

Alberto da Ponte e a sua equipa chegaram hoje cedo à Avenida Marechal Gomes da Costa, em Lisboa, para o primeiro dia de trabalho e passaram a manhã em reuniões, primeiro com os diretores da RTP, depois com os trabalhadores e em seguida com o Conselho de Opinião da estação.

De acordo com o porta-voz da comissão de trabalhadores (CT) da RTP, Camilo Azevedo, a reunião decorreu "de forma civilizada", o novo presidente do conselho de administração (CA) comprometeu-se a reunir-se regularmente com os colaboradores e a dar-lhes a "informação necessária", mas escusou-se a revelar os seis cenários para a privatização ou concessão da empresa com que terá que trabalhar.

"'Os cenários são confidenciais', foi o que nos disse", indicou à Lusa Camilo Azevedo, sem esconder o "desalento" com que os trabalhadores receberam a posição.

Fim da RTP2 não é ponto assente

Sobre o tema, de acordo com um comunicado da CT, Alberto da Ponte referiu apenas a "existência de diversos cenários, desde a manutenção do status quo até ao da mudança mais radical da organização da RTP", mas também que "a ideia de extinguir a RTP 2 não é ponto assente em todas as hipóteses em estudo".

Também aos representantes do Conselho de Opinião da RTP foi reiterada a "promessa de manter o diálogo, porque será útil para a empresa", disse o presidente do órgão, Manuel Coelho da Silva, em declarações à Lusa.

De resto, Alberto da Ponte manifestou-se empenhado em "retirar o problema da RTP da comunicação social", afirmou que entrava na empresa com "espírito de missão" e que, por isso, tinha aceitado o teto salarial previsto no Estatuto do Gestor Público.

"Disse também que não estava a prazo, podia estar ali sete anos", revelou ainda Camilo Azevedo.

Já de acordo com o comunicado da CT, o gestor disse aos trabalhadores da RTP "que não aceitaria o cargo se ele trouxesse anexa a incumbência de agir como 'comissão liquidatária'".

Contas em situação favorável

Alberto da Ponte deverá encontrar uma empresa com as contas em situação favorável, a ter em conta a carta enviada aos trabalhadores da RTP pelo seu antecessor, Guilherme Costa, que assim se despediu na terça-feira.

"A empresa vem conseguindo uma forte diminuição dos custos operacionais, que se situarão este ano nos 235 milhões de euros, isto é, cerca de 70 milhões abaixo dos valores de 2007/2009. O CA da RTP informou há dias o Conselho de Opinião da sua projeção de 25 milhões de lucro no final do ano, pelo que os fundos públicos correntes recebidos pela empresa, deduzidos do valor estimado deste resultado líquido, serão em 2012 inferiores aos 200 milhões de euros", indicou o antigo presidente.

Guilherme Costa atacou ainda o que considerou "inverdades" ditas reiteradamente pelo Governo sobre o custo da RTP aos contribuintes, que ainda recentemente o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, voltou a colocar em um milhão de euros por dia.

"Pagar dívida não é despesa, segundo qualquer critério económico conhecido. O endividamento bancário da RTP, que era superior a mil milhões de euros em 2003, situava-se nos 150 milhões no final do primeiro semestre deste ano, incluindo agora o 'leasing' das suas novas instalações na MGC [Av. Marechal Gomes da Costa], entretanto adquiridas", afirmou o gestor.