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Agência Lusa adopta Acordo Ortográfico a partir de 30 de Janeiro

A decisão de adoptar a partir de amanhã o Acordo Ortográfico foi tomada pela administração da Lusa para reforçar a "vocação global" da agência nos oito países de língua oficial portuguesa, em Macau e junto das comunidades espalhadas pelo mundo. (Nota da Direcção do Expresso no final do texto)

A partir das zero horas de sábado, dia 30, a agência Lusa passa a distribuir o noticiário escrito nos termos do Acordo Ortográfico, cumprindo a vocação de ser "uma agência global" nos territórios onde o português é a língua oficial. 

Os jornalistas da Lusa vão pôr em prática as regras aprendidas no período de formação iniciado em Novembro e contam com o auxílio do corrector ortográfico desenvolvido pelo Instituto de Linguística Teórica e Computacional (ILTEC).

A decisão de adoptar em Janeiro de 2010 o Acordo Ortográfico foi tomada pela administração para reforçar a "vocação global" da agência nos oito países de língua oficial portuguesa, no território de Macau e junto das comunidades espalhadas pelo mundo. 

Preparação desde Novembro

Afonso Camões, presidente do conselho de administração da agência, sublinha que "em comunicação, a língua é o nosso mercado". Em declarações à Lusa, afirma-se consciente de que "todas as mudanças levantam problemas", mas diz que esse é "um desafio e uma oportunidade". "Estamos preparados para isso e estamos aptos a ajudar os nossos parceiros, os nossos clientes, a fazer esse trabalho", acrescenta. 

A preparação dos jornalistas começou em Novembro de 2009, sublinha o director de Informação da Lusa, Luís Miguel Viana: "Fizemos acções de formação com o Ciberdúvidas e com o ILTEC ao longo do mês de Novembro, na sede em Lisboa, e também em Coimbra e no Porto". 

"Cada jornalista esteve um dia a reflectir sobre a filosofia geral do Acordo, as raízes das mudanças nas ortografias e as principais questões que iriam colocar-se no nosso dia a dia de trabalho". 

"Estivemos à espera durante o mês de Dezembro que o ILTEC terminasse o corrector ortográfico para o instalarmos nos nossos computadores", acrescenta Luís Miguel Viana. 

Acordo coloca problemas

O corretor ficou disponível no início de Janeiro e seguiu-se uma fase de testes. A redacção teve, ao longo da semana que agora termina, acções de formação que refrescaram a aprendizagem anterior. 

"Neste momento, temos o corrector pronto a ser instalado em todos os computadores", concluiu o diretor de informação, que não esconde a existência de "alguns problemas". "O Acordo tem alguma margem de ambiguidade, tem algumas regras que não resultam imediatamente claras. Nós e todos os utentes da língua vamos andar aqui uns meses nessa margenzinha", esclarece Luís Miguel Viana.

Afonso Camões refere ainda que a tutela ministerial foi informada de que o trabalho de preparação ia ser iniciado. Posteriormente, "prevenimos que íamos aplicar o Acordo em Janeiro deste ano e é isso que vamos fazer".

Aprovado em 1990 por Portugal, Brasil e os cinco países africanos de língua oficial portuguesa, o Acordo Ortográfico foi ratificado pela Assembleia da República a 16 de Maio do ano passado e promulgado pelo Presidente da República a 21 de Julho. 

O Brasil foi o primeiro país a aplicar o Acordo Ortográfico, em Janeiro de 2009. Portugal decidiu a sua entrada em vigor em 1 de janeiro de 2010, com um período de adaptação até 2016. Só Moçambique e Angola ainda não o ratificaram.

Nota: Todas as notícias que a agência Lusa colocar em linha a partir das zero horas de sábado terão, temporariamente, uma referência ao facto de terem sido redigidas segundo o Acordo Ortográfico.

O Expresso apoia e vai adoptar o novo Acordo Ortográfico. Do nosso ponto de vista, as novas normas não afectam - antes contribuem - para a clarificação da língua portuguesa.

Por outro lado, não consideramos a ideia de que a ortografia afecta a fonética, mas sim o contrário. O facto de a partir de 1911 a palavra phleugma se passar a escrever fleugma e, já depois, fleuma não trouxe alterações ao modo como é pronunciada. Assim como pharmacia ou philosophia.

O facto de a agência Lusa adoptar, a partir de amanhã, o Acordo, enquanto o Expresso, por razões técnicas (correctores e programas informáticos de edição) ainda não o fez, leva a que neste sítio na Internet coexistam as ortografias pré-acordo e pós-acordo.

Pedimos, pois, a compreensão dos nossos leitores.