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Adultério, sodomia, blasfémia e feitiçaria, razões para a pena de morte

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Das 676 execuções confirmadas pela Amnistia Internacional em 2011, 551 tiveram lugar em quatro países do Médio Oriente, a saber: Arábia Saudita, Iémen, Irão e Iraque.

Carlos Abreu (www.expresso.pt)

Adultério e sodomia no Irão, blasfémia no Paquistão, feitiçaria na Arábia Saudita, tráfico de ossos humanos na República do Congo e de droga noutros dez países são, segundo a Amnistia Internacional, alguns dos crimes que justificaram a aplicação da pena de morte em 2011, ano em que pelo menos 676 pessoas foram executadas em 20 dos 198 países do mundo.

Segundo esta organização de defesa dos direitos humanos, o número de condenações pecará por defeito ao não incluírem "milhares de execuções que a Amnistia Internacional (AI) acredita terem tido lugar na China, onde os valores não são revelados" por serem considerados segredo de Estado.

Informa a AI que também não foram contabilizadas as "execuções não assumidas oficialmente" no Irão, onde o recurso à pena capital terá aumentado nos últimos tempos.

No relatório intitulado "Pena de Morte e Execuções 2011", a organização revela um aumento acentuado das execuções no Médio Oriente. Aqui, foi registado um crescimento de 50 por cento em relação a 2010. O recurso sistemático à pena de morte em quatro países explica o aumento, a saber: Arábia Saudita (pelo menos 82), Iémen (pelo menos 41), Irão (pelo menos 360) e Iraque (pelo menos 68 execuções).

43 executados nos EUA

No relatório anualmente divulgado pela AI, pode ainda ler-se que, no único país do continente americano a aplicar a pena de morte, os Estados Unidos, apesar do número de execuções e de novas condenações à morte ter diminuído drasticamente nos últimos dez anos, foram executados 43 reclusos em 2011.

"Mesmo entre o pequeno grupo de países que executaram em 2011, podemos ver um progresso gradual. São pequenos passos, mas essas medidas progressivas têm mostrado, em última análise, poder levar ao fim da pena de morte", afirma o secretário-geral da AI.

"Não vai acontecer de um dia para o outro, mas estamos convictos de que veremos o dia em que a pena de morte passará à história", remata Salil Shetty.